Nacional
CNA alerta: más condições de estradas vicinais geram prejuízo de R$ 16 bi por ano
Levantamento inédito estima que o país poderia reduzir perdas operacionais e emissões de gases com investimentos anuais de R$ 4,9 bilhões em vias rurais
Um estudo inédito da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), estimou que o país perde cerca de R$ 16,2 bilhões por ano em custos operacionais devido às más condições das estradas vicinais — vias que conectam áreas rurais aos centros urbanos. O relatório Panorama das Estradas Vicinais no Brasil indica que, com um investimento anual de R$ 4,9 bilhões, seria possível adequar 177 mil quilômetros de rodovias consideradas prioritárias.
“Estamos falando de um valor que representa menos de um terço do prejuízo anual, de R$ 16,2 bilhões, causado pelas más condições dessas vias, apenas em custos operacionais. Com esse aporte, seria possível melhorar a qualidade de vida da população rural e garantir o escoamento de alimentos com mais segurança e eficiência”, explicou Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA.
Além dos ganhos econômicos, o relatório projeta benefícios ambientais: com estradas em melhores condições, o Brasil poderia reduzir em até 1 milhão de toneladas por ano as emissões de gases de efeito estufa.
Abandono
Aos 84 anos, o presidente da CNA, João Martins, conhece de perto a realidade do abandono das estradas vicinais brasileiras. “O meio rural sempre foi desassistido. Principalmente o pequeno produtor. Principalmente o nordestino”, afirmou o dirigente, que há décadas acompanha as dificuldades enfrentadas por quem vive da produção agrícola.
Essas vias são o caminho diário de pequenos produtores que ainda dependem de veículos próprios para levar a produção até a cidade. Segundo Martins, a falta de infraestrutura afeta diretamente a subsistência dessas famílias. “O governo não olha para aquele pequeno tirador de leite que tira 100, 150 litros, que ele mesmo leva para a cidade. Aquele produtor sofre todo dia na ida e na volta para casa”, disse.
Para ele, o estudo é um passo importante para mudar a lógica histórica de descuido com o campo. “Baseado nesse trabalho, vamos ver se a gente consegue mudar não esse Brasil de fachada, não esse Brasil da Faria Lima, mas esse Brasil que é o Brasil maior, onde está o maior número de habitantes: o Brasil rural”.