Nacional
Petrobras firma contrato para levar gás a áreas remotas do Norte
Projeto começa em 2028 com GNL em pequena escala e prevê infraestrutura para indústrias, termelétricas e polos logísticos
A Petrobras assinou com a Amazônica Energy o primeiro contrato para venda de gás natural do Polo Urucu destinado à produção e distribuição de gás natural liquefeito (GNL) em pequena escala. A empresa afirma que o acordo inaugura uma nova etapa na monetização das reservas da Bacia Sedimentar do Solimões e representa, na avaliação da estatal, um avanço relevante para o mercado de gás no Amazonas.
O fornecimento está previsto para começar em fevereiro de 2028, com volume inicial de 100 mil m³ por dia e vigência de dez anos. Segundo a Petrobras, o contrato poderá ter expansão de oferta conforme a evolução do projeto. A estatal aponta que a iniciativa busca atender localidades da Região Norte que enfrentam restrições logísticas e dificuldade de acesso ao insumo, permitindo ampliar a disponibilidade do gás natural em áreas remotas da Amazônia e favorecer, na visão da empresa, a redução de emissões e o uso mais eficiente dos recursos energéticos da região.
A Petrobras atribui ao acordo um papel relevante para reforçar sua atuação na integração do gás natural à matriz brasileira. “A parceria com a Amazônica Energy reforça nosso compromisso com soluções que impulsionem o setor energético nacional. Este contrato amplia o acesso ao gás natural na Região Norte, com novas modalidades de entrega e soluções inovadoras que buscam fomentar a economia local, gerando benefícios na região e para o mercado de gás do país.”, destaca Álvaro Tupiassu, gerente executivo de Gás e Energia da companhia.
O projeto prevê investimentos da Amazônica Energy em unidades de liquefação, transporte e regaseificação de GNL, além da ampliação do ponto de entrega de transporte. Segundo informações da empresa, essa estrutura deverá possibilitar o atendimento a diferentes segmentos consumidores e estimular o desenvolvimento regional com criação de empregos, geração de renda, redução de custos logísticos e expansão da cadeia produtiva local.
“A parceria estratégica com a Petrobras é de suma importância para o desenvolvimento desse projeto que visa a diversificação da matriz energética na Região Norte com foco na sustentabilidade, dada a menor pegada de carbono. Ter um player como a Petrobras ao nosso lado potencializa nossos esforços e se soma à iniciativa de grandes parceiros nacionais e internacionais que colaboram ativamente com a Amazônica Energy nessa empreitada. Nosso compromisso com a Região Norte é um valor firmado no próprio nome da empresa, e muito nos honra capitanear essa iniciativa que vai beneficiar diferentes segmentos produtivos na região. A implantação do Terminal de GNL permitirá o fornecimento de gás natural liquefeito para indústrias, usinas termelétricas, GNV em frotas veiculares e polos logísticos distribuídos ao longo dos eixos rodoviários e fluviais, com impactos positivos na geração de empregos, atração de investimentos e fortalecimento da economia regional.”, afirma Marcelo Araújo, CEO da Amazônica Energy.
Histórico
A Petrobras contextualiza o acordo lembrando sua atuação histórica na província petrolífera de Urucu. Desde 1988, a companhia mantém produção de petróleo e gás na região. O Polo Urucu é o terceiro maior produtor de gás natural do país, com cerca de 5,1 milhões de m³/dia, volume que abastece 65% da geração de energia elétrica de Manaus e de outros cinco municípios do Amazonas. A estatal também destaca o fornecimento de gás liquefeito de petróleo (GLP) – aproximadamente 80 mil botijões por dia – que atende os estados do Norte e parte do Nordeste.
A operação envolve cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos, incluindo aproximadamente mil trabalhadores que se deslocam diariamente de Manaus e Carauari para atuar na unidade. De acordo com a Petrobras, 98% das áreas de concessão permanecem preservadas, resultado de ações ambientais que incluem o desenvolvimento de mais de 1,5 milhão de mudas de espécies nativas para reflorestamento. A estatal afirma ainda que todos os resíduos gerados nas operações têm destinação adequada e que a unidade é autossuficiente em energia, por utilizar gás produzido localmente, o que, segundo a empresa, contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa.