Região Sudeste
Marinha anuncia lançamento de Escola de Drones em 2026
Anúncio foi feito durante workshop no Rio, que reuniu mais de 400 participantes e serviu de base para estruturar os primeiros cursos
O Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil anunciou que, a partir do próximo ano, o Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC), no Rio de Janeiro, terá uma Escola de Drones.
A novidade foi apresentada durante o Workshop sobre o Emprego de Drones e o Campeonato de Drones Militares, realizado no fim de novembro, nas dependências do CIASC.
A criação da escola marca um passo importante na modernização dos treinamentos da força, que vem ampliando o uso desses equipamentos em atividades de reconhecimento, instrução e apoio às operações.
Segundo o comandante do Centro de Instrução, almirante Luis Manuel de Campos Mello, o novo espaço vai nascer diretamente das experiências coletadas durante o evento. “As lições aprendidas nesse evento serão importantes para estruturar a futura Escola de Drones do Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo, que será criada ainda em 2026. Inicialmente, o curso será para militares da Marinha, podendo, no futuro, ser expandido para outras Forças”, explicou. Ele adiantou que os primeiros cursos serão voltados aos drones dos tipos 0 e 1, que dispensam formação profissional de piloto.
A programação do workshop mostrou por que a escola chega em um momento oportuno. As palestras nacionais e internacionais reuniram mais de 400 participantes e formaram um painel amplo sobre as novas aplicações dos drones, tanto no ambiente militar quanto no civil. O pesquisador Diego Sabá, tutor das linhas de estudo sobre ações aeronavais, afirmou que o encontro funcionou como um laboratório para futuras doutrinas.
“Tudo o que observarmos aqui — as táticas que funcionaram, as adaptações que as equipes fizeram nos equipamentos, as formas de emprego criativas — será analisado e transformado em Lições Aprendidas”, disse.
O objetivo é que esse conteúdo atualize currículos e manuais e acelere a criação de novos procedimentos de adestramento.
Os debates foram organizados em três painéis: drones em conflitos contemporâneos, drones nas Forças Armadas e drones em ambiente urbano. Especialistas brasileiros e estrangeiros discutiram avanços tecnológicos, desafios operacionais e maneiras de integrar a criatividade dos operadores ao uso tático dos equipamentos. Para a policial civil Brunna Lopes, uma das convidadas do painel urbano, a experiência reforça como essa tecnologia já faz parte do cotidiano das operações. “Hoje, vejo que os drones revolucionaram tanto as nossas operações, quanto as investigações e as ações de inteligência”, afirmou.
Vitrine
O campeonato militar realizado paralelamente também serviu de vitrine para identificar talentos e soluções. A disputa teve quatro categorias. Na modalidade “Manobra”, o vencedor foi o soldado Gabriel de Ávila, do Centro de Instrução. Em “Ataque Simulado”, venceu o cabo Romulo Alves, da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O primeiro lugar em “Reconhecimento” ficou com o soldado Ryan Pereira Santos, do Batalhão de Combate Aéreo. Já em “Inovação”, o ganhador foi o segundo-sargento Rodrigo da Silva Leal. Cada prova colocou as equipes diante de desafios de precisão, análise rápida e adaptação, avaliando tanto a técnica quanto a capacidade de resolver problemas táticos em cenários de pressão.
Além de palestras e competições, o evento teve uma mostra de equipamentos de empresas e universidades, com modelos nacionais e sistemas voltados ao reconhecimento. Para Diego Sabá, iniciativas como essa ajudam a preparar melhor as tropas.
“O drone atua hoje como um multiplicador de força”, afirmou, ao destacar o papel desses equipamentos no reconhecimento, no apoio logístico e até no combate direto, como demonstram conflitos recentes. Segundo ele, essa combinação entre tecnologia e preparo humano fortalece a segurança das tropas e aumenta a eficiência das missões.