Hidrovias
Movimentação em hidrovias do Rio Grande do Sul cresce quase 12% em 2025
Volume alcança 1,9 milhão de toneladas, impulsionado pelo escoamento de celulose e maior uso da Lagoa dos Patos
A movimentação de cargas nas hidrovias do Rio Grande do Sul atingiu cerca de 1,9 milhão de toneladas em 2025, crescimento de 11,76% em relação ao ano anterior, quando o volume ficou em torno de 1,7 milhão de toneladas. Os dados constam do Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e refletem, principalmente, a ampliação do escoamento de celulose e a maior utilização da Lagoa dos Patos como alternativa logística para o acesso ao Porto de Rio Grande.
O aumento ocorre em um contexto de reconfiguração da logística no estado após sucessivos episódios de enchentes, que afetaram rodovias e ferrovias e expuseram a vulnerabilidade de um sistema fortemente dependente do transporte terrestre. Nesse cenário, o uso das hidrovias passou a ganhar maior relevância, sobretudo para cargas de grande volume destinadas à exportação.
Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Burlier, o crescimento da movimentação está relacionado tanto à expansão da produção e das exportações de celulose quanto à necessidade de adaptação a eventos climáticos extremos. De acordo com ele, as hidrovias têm funcionado como um elemento de suporte à continuidade das operações logísticas em situações de crise. “As hidrovias cumprem um papel estratégico para garantir a continuidade do abastecimento e das exportações em situações de crise climática. Elas aumentam a resiliência do sistema logístico e reduzem riscos operacionais”, afirmou.
A celulose é atualmente a principal carga transportada pela hidrovia e também o principal item movimentado no Porto de Rio Grande. A produção da Companhia Manufatureira de Papéis e Papelões (CMPC), localizada em Guaíba, segue por barcaças pela Lagoa dos Patos até o porto marítimo, de onde é embarcada para o mercado externo. Em 2023, o Porto do Rio Grande exportou cerca de 1,62 milhão de toneladas de celulose, tendo a China como principal destino, seguida por Estados Unidos, Itália, Emirados Árabes Unidos e Coreia do Sul.
O modelo logístico adotado integra diferentes etapas da cadeia produtiva. As barcaças transportam a celulose de Guaíba até Rio Grande e, no trajeto de retorno, levam toras de madeira a partir de Pelotas, permitindo a utilização contínua das embarcações e a articulação entre indústria, hidrovia e porto.
Diversificação
As enchentes registradas no estado nos últimos anos reforçaram a discussão sobre a necessidade de diversificação dos modais de transporte. Interrupções em estradas e ferrovias comprometeram o fluxo de mercadorias, impactando o abastecimento interno, a produção industrial e as exportações. Nesse contexto, a hidrovia do Atlântico Sul — formada pelos rios Jacuí e Guaíba, pelos canais de navegação e pela Lagoa dos Patos — apresentou maior estabilidade operacional, por estar menos sujeita a deslizamentos, colapsos estruturais e bloqueios físicos comuns em vias terrestres.
No âmbito federal, o fortalecimento do transporte hidroviário envolve a atuação de diferentes órgãos. O Ministério de Portos e Aeroportos é responsável pela definição das diretrizes do setor, enquanto a Antaq atua no monitoramento, regulação e fiscalização das operações, além da estruturação de modelos de concessão. Já o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) executa ações de manutenção, dragagem e melhoria das condições de navegabilidade.
A expansão do uso das hidrovias no Rio Grande do Sul tem sido associada, ainda, a ganhos operacionais e logísticos, como a redução do tráfego de caminhões em rodovias, menor desgaste da infraestrutura viária e diminuição das emissões associadas ao transporte de grandes volumes de carga. Dentro desse cenário, a Lagoa dos Patos consolidou-se como eixo central da hidrovia do Atlântico Sul, conectando áreas produtoras ao principal porto marítimo do estado e ampliando as alternativas logísticas disponíveis para o escoamento da produção gaúcha.