Aeroportos
Leilão do Aeroporto de Brasília inclui outros 10 regionais no pacote
Edital aguarda aprovação do TCU para abril e condiciona concessão do terminal à administração de oito aeroportos do Centro-Oeste, um do Paraná e um da Bahia
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR) prepara o leilão do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, com o formato que obriga a empresa vencedora a administrar também 10 aeroportos regionais. O pacote inclui oito terminais do Centro-Oeste, um do Paraná e um da Bahia, estratégia que visa viabilizar economicamente estruturas que, isoladas, não atraem interesse do setor privado.
O modelo do certame aguarda aprovação no plenário do Tribunal de Contas da União (TCU), prevista para abril. Com o aval do TCU, o governo realizará o leilão ainda no segundo semestre deste ano. A concessão alcança os aeroportos de Alto Paraíso (GO), Barreiras (BA), Bonito (MS), Cáceres (MT), Dourados (MS), Juína (MT), Ponta Grossa (PR), São Miguel do Araguaia (GO), Tangará da Serra (MT) e Três Lagoas (MS).
A inclusão desses terminais no edital integra o programa federal que coloca os aeroportos regionais sob administração de grandes contratos. A medida reconhece que aeroportos menores, operando de forma isolada, geram receita insuficiente para cobrir custos de manutenção e investimentos em infraestrutura. Ao agrupá-los com Brasília, terminal que movimentou 8,17 milhões de passageiros em 2025, o governo cria subsídio cruzado entre operações lucrativas e deficitárias.
INFRAMÉRICA
A Inframérica, que administra o aeroporto de Brasília desde 2012, apresenta lance obrigatório no leilão. A exigência garante participação de pelo menos uma empresa interessada, mas ocorre em contexto de tensão entre a concessionária e poder público. A companhia reclama de baixa lucratividade do terminal e solicita o rearranjo no equilíbrio econômico do contrato.
Essa situação explica a escolha do modelo de venda assistida para a nova concessão. No formato, o poder concedente auxilia a transferência da concessão para um novo investidor sem necessidade de encerramento formal do acordo vigente. O mecanismo difere do leilão tradicional ao facilitar a transição e evitar interrupção dos serviços aeroportuários.
As dificuldades financeiras reportadas pela Inframérica contrastam com o porte do aeroporto de Brasília, que ocupa posição entre os cinco terminais com maior movimentação de passageiros no país. O cenário sugere que custos operacionais, obrigações contratuais ou investimentos exigidos pelo contrato comprometem a rentabilidade da operação.
Apesar dos problemas da atual concessionária, o governo projeta participação de pelo menos mais duas empresas no certame do segundo semestre. A expectativa indica que o mercado mantém interesse no aeroporto da capital federal, possivelmente apostando em renegociação de termos contratuais ou em melhores condições econômicas para a nova concessão.
GALEÃO
O leilão de Brasília segue o certame do Aeroporto do Galeão, marcado para 30 de março. O terminal carioca entra no mercado com lance mínimo de R$ 932 milhões, valor que reflete o porte e a localização estratégica da estrutura no Rio de Janeiro.