Porto de Santos
APS prevê reflutuação do navio Besnard ainda neste mês
Expectativa é que empresa contratada para recuperação do navio faça uma perícia técnica para saber condições da estrutura em maio
A Autoridade Portuária de Santos (APS) detalhou nesta terça-feira (7) o plano de recuperação para o navio oceanográfico Professor W. Besnard, que adernou no Porto de Santos (SP) no mês passado. Após a contratação emergencial de uma empresa, está previsto, ainda neste mês, a reflutuação da embarcação. No mês que vem, ela será rebocada para um estaleiro para uma perícia e avaliação técnica de sua estrutura.
A empresa contratada foi a Marfort Serviços Marítimos, que iniciou os trabalhos no dia 2 de abril, com a participação de mergulhadores. Ao todo, pelo menos 60 profissionais participam da operação.
Conforme o diretor da empresa, Alexandre Salamoni, o plano inicial é a retirada da água de dentro da embarcação, preservando a estrutura ainda existente, até a reflutuação completa do navio. “Foi uma mobilização bem complexa. Nossa primeira questão envolveu a segurança e fazer esse salvamento buscando preservar a história do navio. Começamos com o mergulho que é para justamente mapear o que tem sobre a água, onde possamos tampar toda parte que tenha entrado água para que consigamos fazer a reflutuação. Vamos utilizar bombas de alta performance de sucção para que ele possa calmamente voltar a flutuar. Isso demanda técnica, tempo e segurança”, explicou o executivo.
Desde o incidente, ocorrido no dia 13 de março, a Autoridade Portuária monitora a situação do navio, garantindo que a estrutura não ofereça riscos às operações portuárias e ao tráfego de navios do Porto de Santos.
“Esse navio não pertence ao Porto de Santos, mas a partir do momento que adernou a responsabilidade passar a ser do porto. A Capitania dos Portos nos provocou, principalmente no tema que envolve a segurança da navegação, por exemplo se a amarração do navio arrebenta e ele parar no meio do canal e poderia causar a interrupção do canal, gerando um prejuízo gigantesco. O cronograma da empresa segue um rigor bastante técnico e de ampla segurança”, declarou Anderson Pomini, diretor-presidente da APS.

Presidente Anderson Pomini e técnicos da empresa estiveram reunidos nesta terça-feira, no Parque Valongo. Foto: Divulgação/APS
O contrato da empresa com a gestora do Porto de Santos prevê a reflutuação do navio Professor Besnard ainda neste mês de abril. Depois disso, o navio será rebocado até a base da empresa, localizada na margem esquerda do Porto de Santos, onde será feita uma avaliação técnica para saber as condições da embarcação.
“O navio não está em suas perfeitas condições de manutenção preventiva e corretiva, e isso demanda muito cuidado nosso. Temos equipamentos de içamento no local, mas não adiantar simplesmente içar o navio ele não ter estrutura para suportar. A ideia com essa reflutuação escalonada, a gente consiga preservar isso, também”, afirmou Salamoni.
A contratação, de forma emergencial, custou R$ 8,6 milhões. A quantia necessária para um eventual restauro completo do navio ainda é incerta.
“Criamos uma comissão que contempla todos aqueles que queiram participar na recuperação do navio Besnard. Hoje não temos um custo, saberemos somente depois da perícia técnica no estaleiro. Os peritos vão dizer se o casco do navio dá para recuperar, se a recuperação é somente para ficar flutuando, ou se poderá voltar a navegar plenamente. Somente a perícia vai definir se o navio poderá ser restaurado de forma integral ou parcial”, acrescentou Pomini.

Navio encontra-se parcialmente submerso no cais do Parque Valongo. Foto: Divulgação/APS