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Jornal BE News - Edição de Hoje

Portugal

Vendas de produtos brasileiros no Continente crescem três vezes mais que a média

23 de março de 2026 às 14:56
Vicente Nunes Enviar e-mail para o Autor Público Brasil

Com cerca de meio milhão de brasileiros documentados morando em Portugal — os dados oficiais são de 2024 —, rede de supermercado tem catálogo de cerca de 500 produtos oriundos do Brasil em suas lojas.

A presença cada vez maior de brasileiros em Portugal — são cerca de 500 mil documentados, segundo dados de dezembro de 2024 da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) — está se refletindo no caixa da rede de supermercados Continente, do Grupo Sonae (o mesmo controlador do PÚBLICO). Segundo Paula Jordão, diretora Comercial e responsável por todas as compras que não sejam de marcas próprias, as vendas de produtos oriundos do Brasil têm crescido três vezes mais que a média geral.

Em 2025, as vendas de produtos brasileiros no Continente aumentaram cerca de 30%. Não por acaso, o catálogo da rede com produtos Made in Brasil já encosta em 500, variando de acordo com a demanda e a sazonalidade. Há, dentro das lojas, gôndolas só com produtos brasileiros, o que a rede define como mercado da saudade. “Realmente, as vendas de produtos brasileiros têm tido bons desempenhos”, assinala Paula Jordão.

A diretora do Continente ressalta, porém, que não são apenas os brasileiros que consomem os produtos que cruzam o Atlântico. Segundo ela, pela intensa convivência, os portugueses já incorporaram no seu dia a dia produtos oriundos do Brasil, como a tapioca, o chocotone e mesmo a picanha, muito consumida no Brasil nos tradicionais churrascos. O número de mercadorias brasileiras disponíveis na rede, no entanto, varia de acordo com o tamanho da loja.

Vários pontos de venda do Continente, por sinal, já aceitam o PIX como instrumento de pagamento. O meio eletrônico de pagamento brasileiro começou a ser testado em algumas lojas de Braga e, devido ao sucesso, foi incorporado em parte da rede de supermercados em Portugal.

Carnes do Mercosul

Também diretor do Continente, responsável pelas compras de carnes, queijos e produtos de charcutaria, Ricardo Creado afirma que o grupo ambiciona adquirir cerca de 1 mil toneladas de carne bovina do Brasil, de vários cortes. As aquisições serão realizadas junto ao frigorífico Minerva.

Ele explica que as compras de carnes são realizadas diretamente com a empresa brasileira — ou seja, não há intermediários —, o que assegura produtos de qualidade, embalados de acordo com o que é definido pelo Continente e com compromisso ambiental — as unidades fornecedoras são certificadas. “Temos muita preocupação com a sustentabilidade”, reforça.

O executivo frisa, ainda, que também são adquiridas carnes bovinas do Paraguai, da Argentina e do Paraguai, países que, com o Brasil, integram o Mercosul, bloco comercial que, depois de mais de 25 anos, selou acordo com a União Europeia — a perspectiva do governo brasileiro é de que o tratado entre em vigor, no máximo, em maio próximo.

Para Creado, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia será muito positivo para os dois blocos, sobretudo com a redução de impostos e tarifas ao longo dos próximos anos. O tratado resultou no maior mercado comum do mundo, com mais de 750 milhões de consumidores.

Páscoa e guerra

Em meio às expectativas em relação à guerra no Oriente Médio, que já resultou na disparada dos preços dos combustíveis, o Continente está apostando na Páscoa para alavancar as vendas. Para isso, criou um cardápio especial preparado pelo chef André Matos. Entre os destaques, há folares doces e salgados e pratos como cabrito e borrego assados.

Segundo os executivos do Continente, os efeitos dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã ainda não chegaram às gôndolas do supermercado, que continua a praticar descontos em vários produtos e a oferecer cupons aos consumidores. A expectativa entre eles é de que a guerra acabe o mais rapidamente possível para preservar o poder de compra das famílias.

Depois da pandemia do novo coronavírus, entre 2022 e 2023, quando a inflação escancarou os dentes, o Continente optou por reduzir as margens de lucro para não penalizar os consumidores. À época, o governo também promoveu o corte do IVA, o Imposto sobre Valor Acrescentado, incidente na cesta básica, com vários produtos ficando isentos de tributação.

 

Esta reportagem integra uma série de matérias do jornal Público, de sua editoria Público Brasil, publicado pela Rede BE News, a partir da parceria firmada entre os dois veículos. São reportagens destacando as novidades e os desafios dos imigrantes brasileiros em terras lusitanas ou, nas palavras da equipe do Público Brasil, “histórias e notícias para a comunidade brasileira que vive ou quer viver em Portugal”.  A matéria original pode ser acessada por este link. 

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