Portugal
Portugal mandou 23 mil imigrantes embora em 2025, aumento de 5.080% em relação a 2024
Alta nas notificações aconteceu antes da lei que dá mais poderes ao Governo para expulsar estrangeiros. Brasileiros lideraram as recusas de entradas nos aeroportos do país.
O Governo de Portugal, que tem se aliado à extrema-direita para restringir a entrada e a permanência de imigrantes no país, notificou 23.134 imigrantes em 2025 para que fossem embora voluntariamente. Esse número representa um aumento de 5.080% em relação a 2024, quando apenas 444 estrangeiros foram comunicados que deveriam deixar o território luso.
O relatório, aprovado pelo Conselho Superior de Segurança Interna e entregue à Assembleia da República, ressalta, ainda, que foram instaurados 298 processos de expulsão administrativa e proferidas 91 decisões — em 2024, foram 195 os imigrantes com processos administrativos de expulsão.
Esse aumento expressivo das notificações de abandono aconteceu antes da entrada em vigor da legislação que permite à administração do primeiro-ministro, Luís Montenegro, acelerar o afastamento de imigrantes indocumentados do país. A lei foi aprovada pelo Governo em 19 de março último e entregue ao Parlamento para discussão na segunda-feira (30/03).
749 brasileiros recusados
O Relatório Anual de Segurança Interna do ano passado indica que foram afastadas 252 pessoas de Portugal, das quais 70 no âmbito de expulsões administrativas, 22 em procedimento de condução até a fronteira do país e 160 em cumprimento de decisão judicial de pena acessória de expulsão.
O documento destaca, ainda, que 1.197 estrangeiros não conseguiram apresentar documentação válida e condições para entrar em Portugal e 400 não tinham vistos ou títulos de residência válidos. Esses, inclusive, foram os principais motivos para a recusa de entrada.
Entre as nacionalidades que mais receberam não dos agentes de imigração nos aeroportos de Portugal estão os brasileiros. No total, 749 pessoas oriundas do Brasil foram impedidas de pisar em solo português, seguidas pelos cidadãos de Angola (396).
Batidas em empresas
De acordo com o RASI, os policiais portugueses realizaram, no ano passado, 4.627 ações de inspeção e fiscalização a imigrantes residentes no país, 3.547 a mais que em 2024. As batidas, realizadas, principalmente, pela Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), ocorreram em vários ramos de atividade econômica, como hotéis, restaurantes, construção civil e agricultura.
No ano passado aumentaram em 251,3%, para 1.205 casos, os crimes relativos à imigração ilegal, que abrangem seis tipo: auxílio à imigração ilegal, casamento de conveniência, violação da medida de interdição de entrada, associação de auxílio à imigração ilegal e a angariação de mão de obra ilegal.
Desses crimes, o que mais cresceu foram os casamentos por conveniência, que passaram de 12, em 2024, para 60, no ano passado — alta de 400%.
Esta reportagem integra uma série de matérias do jornal Público, de sua editoria Público Brasil, publicado pela Rede BE News, a partir da parceria firmada entre os dois veículos. São reportagens destacando as novidades e os desafios dos imigrantes brasileiros em terras lusitanas ou, nas palavras da equipe do Público Brasil, “histórias e notícias para a comunidade brasileira que vive ou quer viver em Portugal”. A matéria original pode ser acessada por este link. 1