Região Sul
Univali e Porto de Itajaí estudam retirada do navio Pallas
Convênio de R$ 310 mil será destinado a análises técnicas voltadas à remoção da embarcação naufragada no canal do Rio Itajaí-Açu desde 1893
Em solenidade realizada na segunda-feira (25), a Univali (Universidade do Vale do Itajaí) e o Porto de Itajaí (SC) firmaram um convênio para realização de estudos técnicos voltados à remoção dos destroços do Navio Pallas, embarcação naufragada desde 1893 no Rio Itajaí-Açu, canal que dá acesso aos portos e terminais portuários do Complexo de Itajaí.
Com investimento do Governo Federal de R$ 310 mil, a quantia será destinada aos estudos técnicos relacionados à remoção dos destroços do navio. A etapa de retirada da embarcação é considerada fundamental para os projetos de aprofundamento do canal do Rio Itajaí-Açu.
De acordo com a Autoridade Portuária, o Pallas está encalhado entre as boias 9 e 11, próximo à Bacia de Evolução nº 2. Com a remoção da embarcação e os serviços de dragagem previstos, a expectativa é de que o diâmetro da bacia de evolução 2 seja ampliado para 530 metros, aumentando a capacidade para receber navios maiores nos terminais e portos da região.
Além do ganho operacional, a retirada do Pallas vai representar maior segurança para as manobras dos navios que entram e saem do complexo, além de significar aumento de produtividade na movimentação de cargas no estado de Santa Catarina.
“Esse convênio significa muito mais do que o início de um estudo técnico. Ele simboliza visão, ousadia, retomada e confiança no potencial do Porto de Itajaí”, afirmou o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira.
O CEO da JBS Terminais, Aristides Russi Jr, operador do Porto de Itajaí, reforçou que o terminal precisa contar com infraestrutura compatível com os principais navios do mundo.
“Poucos portos estão preparados para receber navios desse porte. O Porto de Itajaí precisa estar inserido nesse cenário global de competitividade e desenvolvimento logístico. Esse projeto de remoção do Pallas representa protagonismo e visão de futuro”, afirmou o executivo.
Representando a Portonave, terminal portuário de Navegantes, o gerente Rodrigo Santa Rita afirmou que o projeto de remoção representa uma nova etapa para o complexo portuário Itajaí-Navegantes.
“Esse projeto marcará o futuro do complexo portuário de Itajaí. Os navios de 366 metros fazem parte da nova realidade da navegação mundial e era fundamental enfrentarmos esse desafio. Preservamos a memória, mas olhamos para o futuro e para o desenvolvimento”, disse.

Com investimento do Governo Federal de R$ 310 mil, a quantia será destinada aos estudos técnicos relacionados à remoção dos destroços do navio Pallas do Rio Itajaí-Açu. Foto: Dales Hoeckesfeld/Univali
História
O professor da Univali Jules Souto é responsável pela contextualização técnica e histórica do projeto de remoção da embarcação. Na solenidade, ele destacou que os estudos iniciais relacionados ao navio são da década de 1990 e ganharam força em 2016, após a confirmação da localização precisa dentro do canal.
Segundo ele, o trabalho busca conciliar desenvolvimento logístico, responsabilidade técnica e preservação patrimonial.
“Nosso objetivo é resolver um problema histórico para os municípios de Itajaí e Navegantes, com responsabilidade técnica, respeito ao patrimônio histórico e da forma mais econômica possível. Acreditamos que também existe uma oportunidade importante de resgate histórico e cultural a partir desse processo”, afirmou.
Naufragada em 25 de outubro de 1893, durante o período da Revolução Federalista, a embarcação permaneceu submersa por mais de um século no canal de acesso ao porto, tornando-se parte da história marítima local.