Nordeste Export
Jorge Bastos defende avanço da cabotagem e ferrovias para reduzir custos logísticos
Presidente da Infra S.A. ressalta que o Brasil precisa reduzir a dependência do transporte rodoviário de longa distância e ampliar o uso da cabotagem e das ferrovias
A ampliação da cabotagem e da malha ferroviária foi apontada pelo presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, como um dos principais caminhos para tornar a logística brasileira mais eficiente e reduzir os custos de transporte. A avaliação foi feita durante o Fórum Nordeste Export, evento que reune representantes do setor de infraestrutura, transportes e comércio exterior na Associação Comercial de Maceió, nesta segunda-feira (8).
Segundo Bastos, o país ainda depende excessivamente do transporte rodoviário para percursos de longa distância, o que impacta diretamente a competitividade da economia. Para ele, cargas transportadas por milhares de quilômetros em caminhões deveriam ser direcionadas para modais mais adequados, como ferrovias e navegação de cabotagem.
Ao defender uma mudança na matriz de transporte, o executivo destacou o potencial da extensa costa brasileira para a movimentação de mercadorias entre portos nacionais. “Não faz sentido você sair com um caminhão de arroz do Rio Grande do Sul para o Ceará. Isso tem que ir de ferrovia ou por cabotagem”, afirmou.
Bastos ressaltou que o Brasil possui uma das maiores faixas litorâneas contínuas do mundo, mas ainda aproveita pouco esse potencial para o transporte de cargas. Segundo ele, ampliar a cabotagem é fundamental para reduzir a dependência das rodovias e aumentar a eficiência do transporte de cargas.
Planejamento logístico
O presidente da Infra S.A. também defendeu investimentos contínuos em infraestrutura para acompanhar o crescimento da produção nacional, especialmente do agronegócio. Durante sua participação, citou São Paulo como exemplo de desenvolvimento apoiado pela integração entre rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
Outro tema abordado foi a elaboração do novo Plano Nacional de Logística (PNL), cujo objetivo é construir um planejamento de longo prazo capaz de orientar investimentos independentemente das mudanças de governo. “A logística exige previsibilidade, então precisamos de um plano consistente, com credibilidade e que possa atravessar diferentes gestões”, afirmou.
Bastos citou também a importância da estruturação de projetos viáveis para ampliar a competitividade da infraestrutura e da logística brasileiras.