Ferrovias
Relicitação da Malha Oeste chega ao TCU; promessa é integrar Brasil ao Pacífico
Nova concessão prevê R$ 15 bilhões em investimentos e criação de alternativas logísticas para exportações do Centro-Oeste
O Ministério dos Transportes encaminhou ao Tribunal de Contas da União (TCU), na última segunda-feira (9), o projeto de relicitação da Malha Oeste, ferrovia que liga Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia, ao interior de São Paulo. A informação foi confirmada pelo ministro dos Transportes, George Santoro, nesta terça-feira (9).
Com cerca de 1.600 quilômetros de extensão, a Malha Oeste é considerada estratégica para o escoamento de commodities produzidas no Mato Grosso do Sul, como minério de ferro, grãos e celulose, com destino ao Porto de Santos (SP).
Além disso, o traçado integra o projeto do Corredor Bioceânico, iniciativa que pretende conectar o Brasil aos portos do Chile, no Oceano Pacífico, ampliando alternativas logísticas para exportação. Segundo Santoro, o projeto tem potencial para consolidar uma ligação ferroviária transcontinental.
“Estamos falando da retomada de mais de 1.800 quilômetros de ferrovias. É uma ferrovia transoceânica, que vai conectar o Brasil à malha boliviana e alcançar os portos chilenos”, afirmou o ministro.
O governo brasileiro mantém diálogo com a Bolívia para viabilizar a continuidade do corredor. De acordo com Santoro, há avanços nas tratativas e interesse de grupos chineses na implementação do projeto, especialmente no trecho entre Santa Cruz de la Sierra e a fronteira chilena.
O ministro destacou ainda que a relicitação da Malha Oeste prevê a construção do Ferroanel de São Paulo, um contorno ferroviário de aproximadamente 50 quilômetros na região norte da Grande São Paulo. A obra é considerada essencial para retirar o tráfego de cargas do centro da capital paulista e ampliar a conexão com outros portos do Sudeste, como os do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.
“A proposta é criar um grande arco ferroviário na região Sudeste, integrando diferentes malhas e oferecendo mais opções logísticas para o escoamento da produção”, disse.

Expectativa do ministério é realizar leilão da Malha Oeste no segundo semestre de 2026. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência BrasilCronograma
Após a análise do TCU, o governo pretende publicar o edital de concessão e solicitar à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a definição da data do leilão. A expectativa é que a licitação ocorra no segundo semestre de 2026.
O projeto prevê cerca de R$ 15 bilhões em investimentos ao longo de um contrato de concessão de 57 anos. A nova modelagem busca evitar a repetição de períodos de baixa utilização e deterioração da infraestrutura, que marcaram a operação anterior da ferrovia.
A relicitação da Malha Oeste integra a carteira de concessões ferroviárias do governo federal e é vista como fundamental para destravar a logística no Mato Grosso do Sul, uma das principais regiões produtoras do país.