Rodovias
Frete por km rodado recua 0,81% em maio para R$ 8,59
Queda do diesel aliviou custos operacionais, mas incertezas na indústria e novas regras do CIOT devem pautar os próximos meses, aponta Edenred
O preço médio do frete por quilômetro rodado encerrou maio em R$ 8,59, uma leve queda de 0,81% em relação a abril, quando o valor registrado foi de R$ 8,66. Os dados são do Índice de Frete Rodoviário da Edenred (IFR), divulgado em junho.
Segundo a análise da empresa, a redução foi impulsionada pelo alívio dos custos operacionais decorrente da queda dos preços do diesel em todo o país. O comportamento da demanda, no entanto, segue marcado por tendências distintas, influenciadas sobretudo pelo desempenho do mercado externo.
O agronegócio continua sendo o principal motor da atividade de transporte rodoviário. Em maio, as exportações do setor somaram US$ 16 bilhões, respondendo por mais da metade das exportações brasileiras no período. Para a Edenred, o segmento mantém alta demanda de escoamento, ainda que cercado por incertezas.
Em contrapartida, a indústria brasileira começa a dar sinais de desaceleração. O Índice de Gerentes de Compras (PMI), apurado pela S&P Global, recuou de 52,6 pontos em abril para 49,1 em maio, indicando retração da atividade manufatureira e redução das novas encomendas. Esse cenário pode se intensificar diante de novas barreiras comerciais, como o aumento das tarifas adotadas pelo governo norte-americano, que já afeta setores exportadores relevantes, entre eles os de processamento de madeira e café.
Além dos desafios econômicos, o setor de transporte também enfrenta mudanças regulatórias. De acordo com a Edenred, destaca-se a entrada em vigor das novas regras do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), que ampliam a obrigatoriedade de emissão para operações de transporte próprio e introduzem mecanismos automáticos de conferência para reforçar a fiscalização do piso mínimo de frete da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
“A leve redução do frete em maio reflete diretamente a acomodação dos preços do diesel. No entanto, o comportamento da demanda será o principal fator para a definição dos rumos do mercado nos próximos meses. De um lado, temos um agronegócio forte, de outro, a indústria dá sinais de retração, enquanto o setor logístico precisa absorver os efeitos das novas exigências relacionadas ao CIOT”, avaliou o diretor de Unidades de Negócio da Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes.