sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Dolar Com.
Euro Com.
Libra Com.
Yuan Com.
BE News
  • Editorias
    • Nacional
    • Região Norte
    • Região Nordeste
    • Região Centro-Oeste
    • Região Sudeste
    • Região Sul
    • Internacional
    • Portugal
    • Expediente
  • Últimas Notícias
  • Colunas
    • HUB
    • BE Job
    • Mundo Corporativo
    • tecnologia & inovação
    • Espaço Abtra
    • Estilo BE
    • Vitrine
  • Opiniões
Olá,
Jornal BE News - Edição de Hoje

Mineração

É possível o Brasil liderar debate global sobre minerais críticos, diz Ibram

19 de junho de 2026 às 11:54
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Entidade defende que o país combine recursos minerais, disponibilidade energética e capacidade diplomática em momento de rearranjo geopolítico

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) realizou nos dias 9 e 10 de junho, em Brasília, o Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos 2026, reunindo representantes do governo federal, do Congresso Nacional, de entidades setoriais e especialistas internacionais para debater o posicionamento do Brasil diante da crescente disputa global por minerais essenciais à transição energética e às novas tecnologias. O evento aproveitou o momento em que o Projeto de Lei 2780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), aguarda votação no Senado Federal após aprovação na Câmara dos Deputados em maio deste ano.

Para o diretor-presidente do Ibram, Pablo Cesário, o Brasil reúne condições únicas para assumir protagonismo na oferta global desses minerais. “Não existe energia sustentável sem mineração, seja eólica, solar ou nuclear. Este cenário posiciona a mineração no principal palco de discussão global”, afirmou, acrescentando que a expansão de tecnologias como inteligência artificial e data centers ampliará ainda mais a demanda por esses insumos. Cesário também destacou o consenso político que resultou na aprovação do PL 2780 na Câmara. “Este consenso permitiu dar uma resposta à Nação sobre um desafio real”, disse.

O cenário internacional foi apresentado por Matt Blundell, analista sênior de geopolítica e assuntos internacionais da S&P Global Energy. Segundo ele, a crescente disputa global por minerais críticos reflete pressões simultâneas de descarbonização da economia, expansão da inteligência artificial e busca dos países por segurança no suprimento de matérias-primas essenciais. Blundell abordou ainda o que chamou de “dominância da China” nas cadeias industriais relacionadas aos minerais críticos. “Quem controla a cadeia de suprimento cresce mais rápido”, afirmou.

O secretário de clima, energia e meio ambiente do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Maurício Lyrio, avaliou que o diferencial brasileiro vai além da disponibilidade de recursos minerais. “O Brasil tem condições muito especiais para se destacar no mercado global de minerais críticos. Além das reservas minerais, o país conta com disponibilidade de energia, autonomia diplomática e capacidade de desenvolver políticas que ampliem a agregação de valor à produção”, afirmou.

Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group, reforçou o argumento. “Vivemos um momento de profunda transformação geopolítica, e o Brasil está particularmente bem posicionado nesse novo cenário. A combinação de minerais críticos, energia, produção de alimentos e capacidade de atrair investimentos faz com que o interesse global pelo país esteja crescendo de forma significativa”, destacou.

Para Cesário, o país tem condições de participar ativamente da definição dos rumos globais do setor. “O Brasil fala de igual para igual com americanos, chineses e europeus, mas também compreende a necessidade de gerar riqueza e desenvolvimento para a sua população. Por isso, temos condições não apenas de participar desse debate, mas de ajudar a construir os termos de um novo arranjo global para os minerais críticos”, afirmou.

Setor aposta em incentivos e segurança jurídica

Representantes do governo federal e do Congresso Nacional defenderam, durante o seminário, a construção de um ecossistema de investimentos, incentivos financeiros e políticas públicas capaz de transformar o potencial brasileiro em minerais críticos e estratégicos em cadeias produtivas de maior valor agregado.

Para o deputado federal Arnaldo Jardim, relator do PL 2780/2024, o fortalecimento da mineração estratégica exige visão de longo prazo e uma política de Estado que vá além da simples exportação de commodities. “Não bastam investimentos isolados; é necessário constituir um ecossistema que dê suporte e sentido a esses investimentos”, afirmou.

A secretária nacional de geologia, mineração e transformação mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), Ana Paula Bittencourt, afirmou que um grupo técnico do governo vem mapeando projetos e identificando gargalos para definir políticas públicas capazes de atrair os investimentos necessários. “Identificamos a possibilidade de avançar em debêntures de infraestrutura. Também identificamos a importância de um fundo garantidor e de incentivos financeiros”, disse. Segundo ela, embora o Brasil possua grandes reservas minerais, ainda existe uma diferença significativa entre o potencial geológico do país e sua capacidade de produção em escala.

O chefe de gabinete da Vice-Presidência da República, Pedro Henrique Guerra, destacou que os minerais críticos estão presentes em praticamente todas as cadeias prioritárias para o desenvolvimento nacional. “Quando tratamos dos minerais críticos e estratégicos, estamos falando de insumos presentes em praticamente todas as cadeias consideradas prioritárias para o desenvolvimento nacional, da transformação digital à infraestrutura, da bioeconomia à defesa. Por isso, o governo tem atuado em diferentes frentes, que incluem aperfeiçoamento regulatório, melhoria do ambiente de negócios, financiamento e cooperação internacional”, afirmou.

Documento propõe transformar riqueza geológica

O Ibram e o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) lançaram, no segundo dia do seminário, o green paper “Estratégia para a regulamentação e estruturação das cadeias de valor dos minerais críticos e estratégicos no Brasil”. O documento propõe um roteiro em três horizontes temporais para que o país abandone o modelo de exportação de minério bruto e transforme sua riqueza geológica em produtos industriais de alto valor agregado. O green paper está aberto a contribuições até 30 de junho, pelo e-mail ibram@ibram.org.br.

No curto prazo, entre 2025 e 2028, a prioridade é criar o ambiente normativo necessário aos investimentos, com a aprovação da PNMCE, a instalação do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) e a regulamentação do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi) para o setor mineral. No médio prazo, de 2028 a 2040, o foco passa para inovação e fortalecimento industrial, com empresas de grande porte obrigadas a investir 0,40% da receita bruta em pesquisa, desenvolvimento e inovação, avançando do upstream para o midstream e o downstream — do refinamento químico à fabricação de baterias e componentes aeroespaciais. No longo prazo, de 2035 a 2050, a meta é consolidar a autonomia tecnológica e a mineração urbana — recuperação de minerais a partir de rejeitos industriais e produtos pós-consumo.

Compartilhe:
TAGS BRASIL energia Ibram recursos minerais
Baixe nosso aplicativo!
Disponível no Google Play Disponível na Apple Store
Código de Compliance Política de Privacidade Termos de Uso
BE News
Instagram
Facebook
Linkedin
Youtube
Telegram
© 2025 BE News | O conteúdo do Portal BE News é protegido por lei. Qualquer reprodução (total ou parcial), sem a prévia autorização, é proibida.
Desenvolvido por: Logo Mosten