Indústria
CNI defende política industrial de Estado e alerta competitividade
Ricardo Alban afirma que continuidade da Nova Indústria Brasil é estratégica e critica ambiente de concorrência internacional
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, defendeu a consolidação de uma política industrial de longo prazo para sustentar o crescimento e a capacidade de inovação do setor produtivo brasileiro. Durante reunião do Fórum Nacional da Indústria (FNI), realizada na quinta-feira (18), em São Paulo, o dirigente afirmou que o país precisa transformar as atuais diretrizes industriais em um projeto permanente de desenvolvimento econômico.
Segundo Alban, a continuidade de instrumentos voltados ao fortalecimento da indústria é vista pelo setor como condição necessária para evitar perda de competitividade e reduzir riscos de desaceleração produtiva.
“Nós nos preocupamos com o futuro da indústria. Temos, atualmente, a Nova Indústria Brasil, que não é perfeita, mas tem sido essencial. E é imprescindível que essa política industrial seja um projeto de Estado para o desenvolvimento econômico do nosso país e para prevenirmos o retrocesso no setor produtivo”, afirmou.
A declaração ocorre em meio às discussões sobre retomada da capacidade industrial brasileira, ampliação dos investimentos e fortalecimento de cadeias produtivas consideradas estratégicas.
Além da defesa de uma política industrial de longo prazo, Alban manifestou preocupação com o cenário fiscal e com os desafios relacionados à defesa comercial diante do aumento da concorrência internacional.
Durante o encontro, o presidente da CNI criticou o encerramento da cobrança do imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50 e afirmou que medidas desse tipo ampliam o espaço para produtos estrangeiros em condições que, na avaliação do setor, dificultam a competição para a indústria nacional.
Ao comentar o cenário internacional, Alban destacou os fatores que, segundo ele, sustentam a competitividade industrial chinesa.
“É impossível hoje competir com a China. Ela tem três fatores exclusivos que funcionam: tecnologia própria, alta produtividade e escala, junto com eficiência. E como enfrentamos isso? Com política de desenvolvimento industrial mais competitiva, que valorize a cadeia de produção brasileira”, disse.
O Fórum Nacional da Indústria reúne lideranças empresariais e representantes do setor produtivo para discutir temas ligados ao ambiente de negócios, produtividade, inovação e competitividade.