Logística
Governo reforça meta de ampliar peso das ferrovias na logística do país
Alckmin e Santoro defenderam mais investimentos no modal ferroviário e a integração entre rodovias, trilhos e hidrovias para reduzir gargalos no escoamento de cargas
O governo federal quer ampliar a participação das ferrovias na matriz de transportes do país e elevar a integração entre os modais rodoviário, ferroviário e hidroviário como forma de reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade da produção brasileira. A diretriz foi reforçada nesse sábado (20), em Mato Grosso, pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e pelo ministro dos Transportes, George Santoro, durante agenda de entrega da primeira fase da extensão da Malha Norte.
Ao discursar na cerimônia em Dom Aquino (MT), Alckmin afirmou que a malha ferroviária ainda ocupa uma fatia reduzida da matriz de transportes brasileira. “A ferrovia é só 20% da matriz de transporte do Brasil. A nossa meta é chegar a 35%”, disse o vice-presidente, ao defender novos investimentos no setor.
Na avaliação do governo, a ampliação do transporte ferroviário é um dos caminhos para reduzir a pressão sobre o modal rodoviário no escoamento de cargas de longa distância, sobretudo em corredores ligados ao agronegócio e à exportação. Santoro afirmou que o Ministério dos Transportes vem trabalhando, em conjunto com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), na estruturação de projetos que articulem diferentes modais.
“A interoperabilidade desses modais é fundamental para a gente reduzir custos logísticos. O Brasil gasta 15% do seu PIB em custos logísticos. Para mudar isso, precisamos fazer ferrovias, hidrovias e aumentar a capacidade das rodovias”, afirmou o ministro.
Santoro também citou a carteira de concessões rodoviárias do governo como parte dessa estratégia. Segundo ele, já foram licitados 24 projetos e a meta da pasta é elevar o volume contratado em rodovias para R$ 400 bilhões até o fim do ano. Para ferrovias, a meta mencionada pelo ministro é alcançar R$ 160 bilhões em investimentos contratados.
Além da agenda de expansão da malha, Alckmin mencionou instrumentos que o governo estuda ou já admite utilizar para apoiar o setor. Segundo ele, locomotivas já podem ser financiadas com recursos do Fundo Clima e há discussões sobre a inclusão de trilhos entre os itens passíveis de apoio, como forma de estimular novos projetos ferroviários.
Ao vincular a expansão ferroviária à redução de emissões e acidentes, o vice-presidente também ressaltou o argumento ambiental associado ao modal. O discurso foi apresentado no contexto da defesa de uma matriz de transporte menos dependente das rodovias e mais alinhada à estratégia do governo de ampliar a infraestrutura logística para sustentar o crescimento da produção e das exportações brasileiras.