Mineração
Empresa prevê investimentos de R$ 2 bi em terras raras no Brasil
Companhia australiana tem 100% dos direitos minerários de projeto de exploração e extração de uma das maiores reservas fora da China, em Poços de Caldas (MG)
Dono da segunda maior reserva mineral de terras raras do mundo, atrás apenas da China, o Brasil tornou-se um alvo atrativo de investidores internacionais, com destaque para companhias australianas. A Viridis Mining & Minerals é uma das quatro companhias australianas com projetos no território brasileiro.
A Viridis tem concessões para exploração e extração de uma das maiores reservas de terras raras fora da China. Os direitos minerários do Projeto Colossus, situados no município de Poços de Caldas (MG), foram 100% adquiridos pela empresa em 2023. Estão espalhados em uma área total de 235 km quadrados, na região de um extinto vulcão.
O empreendimento da Viridis, que é listada na bolsa australiana, prevê receber até o final do ano a licença de instalação pelo órgão ambiental. “Cremos que teremos essa licença entre outubro e novembro”, disse Rafael Moreno, CEO e diretor-geral da Viridis, ao Estadão. De posse da licença, os acionistas vão tomar a decisão final de investimento.
O executivo está baseado em Perth, na Austrália, e vem ao Brasil ao menos uma vez ao mês. Recentemente veio para a inauguração de uma planta piloto (demonstração), que está processando o minério para validação da tecnologia que será a base no processo de produção de óxidos de terras raras. E também para oferecer amostras aos potenciais clientes da mineradora.
A unidade teve investimento de R$ 25 milhões, com capacidade de processar 100 quilos de minério por hora e produzir por ano 2 920 quilos de carbonato misto de elementos de terras raras (ETR). Entre os principais elementos químicos estão quatro que se destacam no mercado mundial dentre os 17 da tabela periódica: neodímio (Nd), praseodímio (Pr), disprósio (Dy) e térbio (Tb).
Esses elementos, mais samário, ítrio e gadolínio, são insumos críticos para aplicações tecnológicas na fabricação de motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos de consumo (celulares, TVs) e sistemas de defesa terrestre e aeroespacial. Atualmente, o mundo tem alta dependência da China, que domina cerca de 70% da produção e mais de 90% do processo de separação, refino e produção dos ímãs.
O investimento total para desenvolver o projeto Colossus em escala industrial e iniciar a produção no quarto trimestre de 2028 está orçado em torno de US$ 400 milhões (R$ 2 bilhões). Até o momento, com reservas medidas e indicadas de 305 milhões de toneladas, a vida útil da mina é estimada em 20 anos, gerando produção de 9,5 mil toneladas por ano de carbonato misto de óxidos.
Moreno informa que já foram investidos cerca de US$ 70 milhões no Projeto Colossus.
Pacote e cronograma
Para viabilizar o empreendimento, que receberá o aval de implantação por parte dos acionistas logo que for liberada a licença ambiental, a Viridis está estruturando vários formatos de financiamento – desde fundos, bancos de fomento (como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social-BNDES) até agências de crédito à exportação (as ECAs). O capital próprio da empresa no projeto está estimado em US$ 72 milhões (R$ 370 milhões).
No ano passado, a Viridis foi enquadrada no fundo estruturado por BNDES e Vale de apoio a minerais críticos e estratégicos. Foi escolhido o consórcio Ore Investments e Régia Capital para o aporte de US$ 30 milhões no projeto Colossus, dividido em várias tranches de US$ 5 milhões cada uma, que começam a ser liberadas
O CEO informa que foi firmada também uma carta de intenções com a agência oficial de crédito à exportação do Canadá, a Export Development Canada (EDC), que demonstrou interesse em fornecer um pacote de financiamento direto de até US$ 100 milhões (R$ 515 milhões) para apoio na fase de execução do empreendimento.
Outra fonte é o francês Bpifrance (Banque Publique d’Investissement), que opera como braço estratégico do governo da França, oferecendo crédito, garantias e investimentos de capital. O valor previsto é também de US$ 100 milhões.
A mineradora australiana está em tratativas com o BNDES e seu braço de participações, a BNDESPar, para empréstimo e equity, ou ambos.
Reciclagem de ímãs
Uma outra frente da Viridis é a joint venture formada com uma empresa australiana, a IRX, criando a Viridion, voltada à reciclagem de ímãs (produto acabado com óxidos de terras raras). A parceria 50%-50% é formada com a empresa australiana Ionic Rare Earths. A parceria foca no processamento, refino e reciclagem de elementos de terras raras (ETR).
A futura unidade de demonstração está prevista para entrar em operação no segundo semestre de 2027, em Poços de Caldas. A ideia é criar um polo integrado (Centro de Refino, Reciclagem e Inovação de Terras Raras-CRITR) na cadeia produtiva do mineral.
A Viridis tem ações na bolsa australiana e seu valor de mercado último dia 8 (julho), era de US$ 466 milhões.