Aviação
Laudo aponta causa da morte de aluno piloto após “banho de óleo”
Polícia Civil do Paraná conclui, em análise preliminar, que Gustavo Henrique Lara morreu por asfixia após exposição química
O engenheiro Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, morreu por asfixia mecânica decorrente de edema de via aérea após exposição química, segundo laudo preliminar divulgado nesta segunda-feira (20) pela Polícia Civil do Paraná (PCPR). O jovem morreu depois de participar de um ritual comemorativo conhecido como “banho de óleo”, realizado após seu primeiro voo solo em uma escola de aviação de Ponta Grossa (PR).
Segundo a PCPR, a causa da morte foi apontada preliminarmente como “asfixia mecânica por edema de via aérea após exposição química”. A corporação informou que ainda aguarda a conclusão dos laudos periciais.
De acordo com o delegado Lucas Petry, responsável pela investigação, a substância despejada sobre Gustavo era um óleo utilizado em motores de aeronaves. Conforme os depoimentos colhidos até o momento, incluindo o do instrutor do aluno, foi o próprio instrutor quem derramou o produto durante a comemoração.
Após o ritual, Gustavo passou mal ainda no centro de aviação. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), encaminhado a um hospital da região, mas não resistiu.
O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O instrutor chegou a ser preso, pagou fiança e foi liberado. A Polícia Civil solicitou exames necroscópicos, periciais e toxicológicos, além das imagens do local onde ocorreu a comemoração. O nome do instrutor não foi divulgado.
Quando o caso veio à tona, na última quinta-feira (17), a morte havia sido inicialmente associada a uma reação alérgica após o contato com o óleo de aviação utilizado no chamado “banho de óleo”, prática tradicional em algumas escolas e aeroclubes para marcar o primeiro voo solo de pilotos em formação. O laudo preliminar divulgado agora, no entanto, aponta como causa da morte a asfixia provocada por edema das vias aéreas após a exposição química.
Após o caso, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) lamentou a morte de Gustavo Henrique Lara e alertou que produtos químicos aeronáuticos, como óleos e lubrificantes de aviação, não devem, em hipótese alguma, entrar em contato com a pele, conforme orientam os rótulos desses materiais.
Segundo a agência, o uso dessas substâncias em celebrações representa risco à saúde e pode, inclusive, levar à morte. A Anac também reforçou que escolas de aviação, aeroclubes e demais organizações de instrução devem rever ritos de conclusão de etapas da formação, ressaltando que a segurança deve prevalecer sobre qualquer tradição e que manifestações comemorativas não podem expor alunos, instrutores ou terceiros a riscos.
O Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) de Ponta Grossa informou que o episódio ocorreu fora da área da escola, após o encerramento das atividades de voo. Em nota, a instituição afirmou que permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários e oferecer apoio aos familiares “dentro de suas possibilidades”. O CIAC acrescentou que, em respeito à memória de Gustavo, à família e ao trabalho de investigação, não fará novos comentários até a conclusão das apurações.