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Comércio exterior

Tarifas vão impactar 23,1% das exportações brasileiras aos EUA

Atualizado em: 25 de julho de 2026 às 9:27
Da Redação Enviar e-mail para o Autor Estadão Conteúdo

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, cerca de 52,7% das exportações brasileiras aos norte-americanos seguem sem as taxas adicionais

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou nesta sexta-feira, 24, que, combinadas, as novas tarifas dos Estados Unidos anunciadas neste mês de julho alcançam 23,1% das exportações brasileiras ao país. Outras 52,7% permanecem sem tarifas adicionais setoriais ou específicas contra o Brasil.

Em nota sobre o alcance das medidas tarifárias dos EUA sobre as exportações brasileiras, a pasta detalhou que o porcentual de 23,1% das vendas do Brasil afetadas é distribuído da seguinte forma: 1,9% das exportações são atingidas apenas pela tarifa de 25% (Seção 301-Brasil), abrangendo, entre outros produtos, o açúcar; 4,7% das exportações são alcançadas exclusivamente pela sobretaxa de 12,5% (Seção 301 para 60 maiores parceiros comerciais, por práticas associadas a trabalho forçado), incluindo, por exemplo, obras de pedra, gesso e matérias semelhantes, minérios, óleos essenciais e produtos de perfumaria, e pescados; 16,5% das exportações são alcançadas simultaneamente pelas duas medidas e, portanto, sujeitam-se à sobretaxa acumulada de 37,5% (sujeitos às duas Seções 301), caso de produtos como máquinas e equipamentos, vários tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

Além disso, 24,2% são produtos sujeitos a tarifas específicas, aplicadas, em regra, a todos os países (com base na Seção 232).

Dessa forma, cerca de 52,7% das exportações brasileiras para os Estados Unidos não estão alcançadas pelas sobretaxas setoriais (Seção 232) nem por tarifas amplas ou específicas aplicadas no âmbito da Seção 301, permanecendo sujeitas apenas às tarifas ordinárias norte-americanas. Nessa categoria estão, por exemplo, café, carnes, ferro fundido, aeronaves, suco de laranja, frutas, vários produtos químicos e a maior parte das exportações de celulose.

A primeira decisão (Seção 301-Brasil) refere-se à investigação específica conduzida pelos EUA em relação ao Brasil. Como resultado, foi estabelecida sobretaxa adicional de 25% para determinados produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. Essa medida entrou em vigor na última quarta-feira, 22, mas não se aplica a mercadorias embarcadas e em trânsito antes dessa data, desde que ingressem em território norte-americano até o dia 29 de julho.

Já a Seção 301 aplicada para os 60 maiores parceiros comerciais, refere-se à investigação sobre práticas relacionadas à prevenção e ao combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos. A medida estabelece sobretaxa adicional de 10% ou 12,5% para importações originárias de países que, segundo a avaliação norte-americana, não adotam medidas consideradas suficientes para coibir a entrada de produtos associados ao trabalho forçado.

A tarifa de 12,5% foi aplicada a 41 economias, enquanto a tarifa de 10% foi aplicada a 19 economias. No caso dos produtos brasileiros, a tarifa adicional é de 12,5%, observadas as exceções e condições previstas pelo governo norte-americano.

Tarifas cumulativas

Pelas decisões americanas, as sobretaxas de 12,5% (ou 10%) e de 25% ao amparo da Seção 301 se acumulam quando incidentes sobre um mesmo produto. Por outro lado, essas tarifas não se aplicam a mercadorias sujeitas às medidas tarifárias setoriais adotadas com base na Seção 232 da legislação norte-americana, aplicáveis, em regra, a todos os países e incidentes sobre produtos específicos.

Desaceleração

Em nota sobre o alcance das medidas tarifárias dos Estados Unidos nas exportações brasileiras, O MDIC afirmou que os dados do comércio Brasil-EUA indicam uma desaceleração das trocas comerciais entre os dois países, “após os níveis historicamente elevados observados nos últimos anos”.

“Esse movimento tem ocorrido em um ambiente de crescente incerteza quanto à política comercial norte-americana, caracterizado pela ampliação do uso de instrumentos tarifários, pela adoção de medidas restritivas e indevidas e por frequentes revisões das condições de acesso ao mercado dos Estados Unidos”, diz a nota.

O texto sustenta que a intensificação das medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos ocorre em um contexto de perda recente de dinamismo do comércio bilateral. “Após atingirem o recorde de US$ 40,4 bilhões em 2024, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano recuaram para US$ 37,7 bilhões em 2025 e mantiveram trajetória de queda ao longo de 2026, na esteira de sobretaxas”, diz.

No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões, redução de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi influenciado principalmente pela diminuição dos embarques de óleos brutos de petróleo, que registraram retração de 30,4%, e de produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, cujas exportações recuaram 21,7%.

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TAGS comércio exterior Estados Unidos MDIC
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