HUB
Itamaraty convoca embaixador argentino após falas de Milei no Brasil
O Ministério das Relações Exteriores expressou repulsa às declarações do presidente argentino Javier Milei, feitas em território nacional, que atacaram o chefe de Estado e instituições brasileiras
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou no domingo, dia 26, o embaixador da Argentina no país, Daniel Raimondi, e transmitiu ao diplomata estrangeiro a repulsa do governo brasileiro à fala do presidente argentino Javier Milei, feita durante visita do chefe de Estado a São Paulo. “Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”, disse, segundo nota do Itamaraty.
Na diplomacia, o ato de convocar embaixador de país estrangeiro expressa descontentamento em relação ao governo que ele representa. Milei veio ao Brasil para participar do lançamento da candidatura à Presidência da República do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado, entre outros delitos. Em seu discurso no evento, o presidente da Argentina ofendeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com, entre outros termos, de “presidiário”. Além disso, chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator da trama golpista, de “lixo careca”.
Data centers
A expansão dos data centers no Brasil exige planejamento, transparência e regras que garantam benefícios ao País e reduzam impactos socioambientais. A avaliação é de pesquisadores que debateram a questão nessa segunda-feira, dia 27, em Niterói (RJ), como parte da programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
O professor Mauro Oliveira, do Instituto Federal do Ceará (IFCE), defendeu que a instalação de grandes centros de processamento de dados precisa ser acompanhada de políticas públicas e maior participação da comunidade científica. Para o pesquisador, o Brasil corre o risco de repetir uma lógica histórica de exploração de recursos naturais sem garantir contrapartidas para o desenvolvimento nacional. “O problema não é receber data centers. O problema é receber esses investimentos sem negociação. O Brasil precisa definir o que quer exigir em troca”, disse.
Oliveira citou o projeto de instalação de um grande data center voltado à inteligência artificial no Ceará. Segundo ele, a unidade deverá consumir cerca de 300 megawatts de potência, demanda equivalente à capacidade de abastecimento de milhões de pessoas. “O mundo, hoje, não consegue produzir energia suficiente para atender à demanda projetada pelos data centers de inteligência artificial”, disse.