Rodovias
“Beijo das aduelas” marca união da Ponte Bioceânica entre Brasil e Paraguai
Cerimônia simbólica celebrou conexão entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, no Paraguai
A Ponte Internacional da Integração, que liga Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai, teve suas duas extremidades conectadas em um marco simbólico da Rota Bioceânica. A cerimônia do chamado “beijo das aduelas” estava prevista para quinta-feira (23), mas foi cancelada devido às condições climáticas. Mesmo assim, autoridades dos dois países acompanharam o avanço da estrutura sobre o rio Paraguai.
Com 1.294 metros de extensão, a ponte é uma das principais etapas do corredor logístico que pretende conectar o Brasil aos portos do Chile, criando uma nova alternativa para o transporte de cargas destinadas aos mercados da Ásia e da Oceania.
Apesar da união da estrutura, a conclusão da ligação ainda depende dos acessos. Do lado brasileiro, falta executar 13,1 quilômetros entre a BR-267 e a ponte, obra estimada em cerca de R$ 250 milhões. A previsão do governo federal é que o trecho seja concluído em 2027. No Paraguai, o acesso de 3,8 quilômetros até a rodovia PY-15 está em andamento, com previsão de término entre o fim deste ano e o início de 2027.
Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), as obras do acesso brasileiro atingiram 38,1% de execução. O projeto inclui serviços de terraplenagem e a construção de sete estruturas especiais, entre pontes e viadutos.
O investimento previsto no empreendimento é de R$ 472 milhões. Desse total, R$ 220,7 milhões já foram empenhados e R$ 184,7 milhões efetivamente utilizados. O Dnit informa que novos recursos poderão ser liberados conforme o avanço dos serviços.
Além dos acessos, Brasil e Paraguai ainda precisam concluir a implantação do controle aduaneiro integrado, que permitirá a atuação conjunta dos órgãos de fiscalização na fronteira.
A Rota Bioceânica prevê uma ligação rodoviária entre o oceano Atlântico e o Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A expectativa é reduzir o tempo de transporte de cargas brasileiras para a Ásia em até 20 dias, diminuindo custos logísticos em relação às rotas atuais.
Enquanto as obras não são concluídas, a travessia entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta continua sendo feita por balsas.