Petróleo e Gás
Produção da Petrobras bate marca histórica no 2º trimestre
Volume de petróleo e gás cresce 14,1% em um ano e sustenta aumento das exportações, redução das importações e desempenho recorde das refinarias
A Petrobras registrou no segundo trimestre de 2026 os maiores volumes de produção de petróleo e gás de sua história, impulsionada pela expansão das operações no pré-sal, pela entrada de novas plataformas e por ganhos de eficiência operacional. O desempenho também permitiu à companhia elevar as exportações, reduzir a necessidade de importação de petróleo e derivados e operar o parque de refino em nível recorde.
Entre abril e junho, a produção própria de óleo, líquidos de gás natural (LGN) e gás natural alcançou 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), alta de 14,1% em relação ao mesmo período do ano passado e de 3,4% na comparação com o primeiro trimestre deste ano. Já a produção total operada, que inclui a participação de empresas parceiras nos campos explorados pela estatal, chegou a 4,87 milhões de boed, estabelecendo um novo recorde para a companhia.
O crescimento foi sustentado principalmente pela maior eficiência dos sistemas de produção e pelo avanço da curva operacional dos FPSOs Maria Quitéria, no campo de Jubarte, Alexandre de Gusmão, em Mero, e P-78 e P-79, em Búzios. Ao longo do trimestre, a Petrobras colocou em operação dez novos poços produtores, sendo seis na Bacia de Santos e quatro na Bacia de Campos, reforçando a capacidade produtiva dos ativos do pré-sal.
Segundo a empresa, apenas os ganhos de eficiência operacional acrescentaram cerca de 70 mil barris diários à produção na comparação anual. O volume adicional equivale, sozinho, à capacidade de produção do FPSO Anna Nery, instalado no campo de Marlim, demonstrando o impacto das ações voltadas à confiabilidade e à integridade dos sistemas de produção.
O principal destaque ficou com o campo de Búzios, que consolidou sua posição como maior ativo produtor da Petrobras. Em junho, as plataformas instaladas no campo ultrapassaram pela primeira vez a média mensal de 1 milhão de barris de petróleo por dia. Em apenas três dias, a produção diária evoluiu de 1,1 milhão para 1,2 milhão de barris, impulsionada pela entrada em operação e pelo aumento gradual da produção das plataformas P-78 e P-79.
A P-79 iniciou suas operações em 1º de maio, três meses antes do cronograma previsto no atual Plano de Negócios da estatal. O início antecipado elevou para aproximadamente 1,33 milhão de barris por dia a capacidade instalada de produção em Búzios. A plataforma também estabeleceu um recorde interno ao iniciar a injeção de gás apenas 56 dias após o começo da produção. Já o FPSO Almirante Tamandaré manteve a liderança entre as plataformas brasileiras, alcançando produção média de 253 mil barris de petróleo por dia em junho.
Além de Búzios, outros ativos estratégicos mantiveram elevado desempenho. Em Mero, a produção média chegou a cerca de 740 mil barris por dia, enquanto os campos de Tupi, Sépia, Atapu, Itapu, Sapinhoá e Berbigão seguiram produzindo, em conjunto, mais de 1,5 milhão de barris diários. Na Bacia de Campos, a produção de óleo atingiu 559 mil barris por dia, o segundo melhor resultado desde o fim de 2023.
Recorde no refino
O desempenho no segmento de exploração e produção foi acompanhado por um novo recorde no refino. O fator de utilização das refinarias alcançou 101,2% no trimestre, superando a marca histórica registrada em 2014. Em abril e maio, o parque de refino operou por dois meses consecutivos com utilização média de 102,5%, contribuindo para elevar a produção de derivados e reduzir a dependência de importações.
A produção de derivados atingiu 1,918 milhão de barris por dia, com destaque para os volumes de diesel S10 e querosene de aviação (QAV), ambos em níveis recordes. O aumento da utilização das refinarias também permitiu ampliar o processamento de petróleo do pré-sal, que respondeu por 73% da carga refinada no trimestre, e consolidou a capacidade das unidades da Petrobras de processarem integralmente esse tipo de óleo quando economicamente vantajoso.
Mercado externo
No mercado externo, o aumento da produção impulsionou as exportações de petróleo e derivados, enquanto as importações recuaram aos menores níveis dos últimos anos. As vendas externas totais chegaram a 1,23 milhão de barris por dia, das quais 996 mil barris corresponderam ao petróleo bruto. No sentido oposto, as importações de petróleo e derivados caíram 41,8% em relação ao trimestre anterior, com destaque para a redução de 63,3% nas compras de diesel, que somaram apenas 18 mil barris por dia.
A Petrobras também registrou mudanças no perfil dos mercados compradores. A participação da China nas exportações de petróleo diminuiu durante o trimestre, enquanto Índia e países europeus ampliaram suas aquisições. Paralelamente, a companhia conquistou novos clientes para o petróleo brasileiro em mercados como Taiwan, Omã, Polônia, Suécia e África do Sul.