Mineração
Usiminas eleva Ebitda no segundo trimestre com recuperação da siderurgia
Companhia registra avanço de 17% no Ebitda Ajustado, melhora margem operacional e destaca ganhos de eficiência, apesar das pressões sobre custos e importações de aço
A Usiminas encerrou o segundo trimestre de 2026 com avanço nos principais indicadores operacionais, impulsionada pela recuperação da área de siderurgia, melhoria do mix de vendas e medidas de eficiência adotadas pela companhia. O Ebitda Ajustado alcançou R$ 761 milhões entre abril e junho, crescimento de 17% em relação ao primeiro trimestre, enquanto a receita líquida consolidada somou R$ 6,1 bilhões, alta de 4% na comparação trimestral.
No período, a empresa comercializou 989 mil toneladas de aço e 2,47 milhões de toneladas de minério de ferro. A margem Ebitda passou de 11,1% para 12,4%, refletindo principalmente a melhora nos preços da siderurgia e os ganhos operacionais obtidos nos últimos meses.
Na mineração, a companhia registrou recuperação dos volumes vendidos após os impactos do período chuvoso. Apesar da melhora operacional, o segmento ainda enfrentou pressão sobre as margens em razão da elevação dos custos logísticos, especialmente dos fretes marítimos.
O lucro líquido da Usiminas ficou em R$ 428 milhões no segundo trimestre, recuo de 52% frente aos três primeiros meses do ano. A comparação é influenciada pelo reconhecimento de créditos tributários realizado no primeiro trimestre, que elevou o resultado daquele período.
Entre abril e junho, a companhia também concluiu a implantação da nova unidade de injeção de carvão pulverizado (PCI), em Ipatinga (MG). O projeto aumenta a eficiência dos altos-fornos, contribui para a redução dos custos de produção e auxilia na diminuição das emissões de gases de efeito estufa, reforçando a competitividade da operação siderúrgica.
“Precisamos manter a cautela e continuar focados em eficiência operacional, produtividade de mão de obra e disciplina financeira. Priorizamos a rentabilidade das operações e avançamos em investimentos estruturantes voltados à competitividade e à sustentabilidade do negócio”, afirmou Marcelo Chara, presidente da Usiminas.
Apesar dos avanços operacionais, o executivo destacou que o cenário para a indústria do aço permanece desafiador, diante da combinação de fatores externos e internos. Entre os principais pontos de atenção estão o excesso de oferta global, as incertezas econômicas e as tensões geopolíticas.
No mercado brasileiro, Chara ressaltou que os juros elevados continuam limitando o consumo e os investimentos, afetando a atividade industrial. Ele também chamou atenção para o volume de importações de aço e produtos manufaturados, que segue pressionando a utilização da capacidade instalada da indústria nacional.
Segundo o presidente da Usiminas, embora as medidas de defesa comercial adotadas pelo governo tenham produzido efeitos positivos, a entrada de produtos asiáticos continua sendo uma preocupação para o setor. Para ele, a continuidade dos mecanismos de defesa comercial é necessária para garantir condições mais equilibradas de competição para a indústria brasileira.