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Brasil articula frente para influenciar descarbonização marítima global

Atualizado em: 6 de agosto de 2026 às 17:27
Júnior Batista Enviar e-mail para o Autor

Estratégia mira negociações globais e impacto nas exportações, majoritariamente feitas por navios

A construção de uma posição nacional unificada para influenciar as negociações internacionais sobre a descarbonização do transporte marítimo foi o principal consenso entre governo, indústria e setor produtivo durante o Diálogo sobre Descarbonização do Transporte Marítimo, Competitividade e Sustentabilidade da Indústria Brasileira, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A mobilização ocorre em um momento decisivo das negociações conduzidas pela Organização Marítima Internacional (IMO), que deverá avançar, em dezembro de 2026, na definição de regras para redução das emissões de gases de efeito estufa da navegação mundial. Como cerca de 96% das exportações brasileiras são escoadas por via marítima, as decisões podem impactar diretamente a competitividade da economia nacional.

Na avaliação da CNI, a regulamentação internacional precisa reconhecer o potencial dos biocombustíveis produzidos no Brasil e garantir uma transição energética gradual, economicamente viável e capaz de evitar a criação de novas barreiras comerciais. Para a entidade, além de reduzir emissões, as futuras regras devem estimular soluções tecnológicas alinhadas às vantagens competitivas do país.

O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, defendeu maior articulação entre governo e iniciativa privada para fortalecer a atuação brasileira nas negociações. “O mais importante neste momento é garantir uma voz unificada do Brasil”, disse.

Muniz ressaltou que o debate ultrapassa o setor marítimo e afeta diretamente a competitividade da indústria nacional. Segundo ele, o país reúne condições de ampliar a produção de biocombustíveis de forma sustentável, com rastreabilidade e sem pressão sobre o desmatamento.

Durante os debates, representantes da cadeia do etanol defenderam o combustível como alternativa imediata para reduzir as emissões da navegação. O presidente da Bioenergia Brasil, Mário Campos, afirmou que o país pode se tornar referência global no fornecimento de etanol para o setor, desde que haja avanços em regulação, infraestrutura, mercado e articulação internacional.

Na mesma linha, o CEO da Copersucar, Tomas Manzano, afirmou que o etanol brasileiro pode reduzir em até 75% as emissões de carbono em comparação aos combustíveis fósseis. Já Gustavo Leite, da Inpasa, destacou que cerca de 440 embarcações já têm capacidade para operar com o combustível, indicando avanço na preparação do mercado internacional.

Os impactos da futura regulamentação também foram discutidos por representantes da indústria naval e do setor logístico. O head de vendas da Wärtsilä, Mario Barbosa, informou que a empresa conclui, no Complexo Industrial Portuário de Suape, o desenvolvimento de um motor movido a etanol, ressaltando que a consolidação da tecnologia dependerá da regulamentação internacional.

O head de Relações Institucionais da Maersk, Danilo Veras, afirmou que a companhia pretende operar, até 2030, uma frota de 40 navios aptos ao uso de etanol, reforçando a importância estratégica do Brasil. Já o CEO da Bunker One, Flávio Ribeiro, defendeu avanços na regulamentação nacional para viabilizar o abastecimento com combustíveis renováveis.

Representantes da Vale S.A., Santos Brasil, Suzano e MSC alertaram que a transição energética deve preservar a competitividade da indústria brasileira e evitar medidas unilaterais, como taxas regionais sobre emissões, que possam fragmentar a regulamentação internacional e elevar os custos do comércio exterior.

Encerrando o encontro, o chefe da Divisão de Negociação Climática do Ministério das Relações Exteriores, Bruno Arruda, afirmou que há consenso global sobre a necessidade de descarbonizar o transporte marítimo, mas destacou o desafio de construir regras equilibradas. Segundo ele, um acordo internacional pode reduzir custos e ampliar oportunidades para países produtores de energia renovável, como o Brasil.

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TAGS CNI navegação marítima sustentabilidade
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