Portos
Ventania de 109 km/h atinge Santos e interrompe navegação no porto
Rajada foi registrada pela Praticagem durante passagem de ciclone extratropical pelo litoral paulista
A cidade de Santos registrou nesta sexta-feira (7) rajadas de vento de até 109 km/h, a maior velocidade medida no Estado de São Paulo, em meio à passagem de um ciclone extratropical que atingiu o litoral paulista. A força da ventania chegou a interromper a navegação no Porto de Santos durante a manhã, enquanto a cidade e outros municípios da Baixada Santista enfrentaram os efeitos do mau tempo.
O vento de 109 km/h foi registrado pela estação meteorológica da Praticagem de Santos às 6h39. Poucos minutos depois, às 6h45, a Capitania dos Portos determinou o fechamento do canal de navegação do Porto de Santos, depois que a intensidade dos ventos ultrapassou 30 nós, limite considerado inadequado para a realização segura das manobras de navios. A navegação foi liberada às 8h20, após a redução da velocidade das rajadas.
O episódio colocou a operação portuária entre os principais reflexos da mudança das condições meteorológicas na região. A interrupção ocorreu justamente no período de maior intensidade dos ventos e afetou temporariamente a circulação de embarcações no principal complexo portuário do país. Por volta das 9h, a velocidade registrada pela Praticagem já havia caído para 75 km/h.
A ventania foi provocada pela passagem de uma frente fria associada à formação de um ciclone extratropical que se intensificou sobre a Região Sul do país. O sistema apresentou rápida intensificação, característica que deu origem à denominação “ciclone bomba”, e avançou em direção ao Sudeste provocando rajadas fortes e mudanças significativas nas condições do tempo.
Santos teve a rajada mais intensa entre os municípios paulistas incluídos no levantamento da Defesa Civil atualizado até as 13h40. Itanhaém registrou 97 km/h, enquanto Ubatuba teve ventos de 74,5 km/h. Em São Sebastião, as rajadas chegaram a 64 km/h; em Ilhabela, a 56,5 km/h; e em Caraguatatuba, a 54,1 km/h.
Os ventos fortes também atingiram municípios do interior e da Região Metropolitana de São Paulo. Presidente Prudente registrou rajadas de 70,4 km/h, Areias teve 68 km/h e São Caetano do Sul, no ABC Paulista, chegou a 66,9 km/h.
A Defesa Civil do Estado havia emitido alertas para a possibilidade de rajadas de até 100 km/h. O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) previa ventos fortes acompanhados de chuvas moderadas ao longo da sexta-feira. Para o litoral paulista, a Serra do Mar e o Vale do Paraíba, a previsão da Climatempo indicava rajadas entre 90 km/h e 110 km/h. Na capital, os ventos poderiam chegar a 80 km/h.
Na Baixada Santista, a instabilidade também afetou a rotina das cidades. Pelo menos cinco municípios suspenderam as aulas da rede pública nesta sexta-feira em razão das condições meteorológicas. As autoridades mantiveram as orientações para que a população permanecesse atenta à evolução do tempo diante da previsão de continuidade dos ventos fortes.
Interrupção
No Porto de Santos, a decisão de interromper a navegação foi uma medida de segurança diante das condições registradas nas primeiras horas do dia. A intensidade dos ventos é um dos fatores considerados nas manobras de entrada e saída de navios, e a ultrapassagem do limite estabelecido pela autoridade marítima levou à suspensão temporária do tráfego no canal.
A reabertura ocorreu ainda pela manhã, depois que as condições melhoraram. O episódio, no entanto, foi um dos principais reflexos da passagem do sistema meteorológico pela região e mostrou o impacto que eventos de vento extremo podem provocar sobre a operação de um complexo portuário de grande movimentação.
Ao longo do dia, o litoral paulista permaneceu sob influência da frente fria e do ciclone extratropical, com previsão de novas rajadas fortes. Em Santos, o pico de 109 km/h registrado pela Praticagem marcou o momento mais intenso da ventania e levou a cidade a registrar o maior índice do Estado, além de provocar a interrupção temporária da navegação no Porto de Santos.