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Portos

Restrição de calado em Itajaí pode reduzir movimentação de cargas

12 de agosto de 2026 às 18:57
Cássio Lyra Enviar e-mail para o Autor

Associação Empresarial de Navegantes afirma que medida da Marinha pode afetar operações no complexo e defende concessão do canal de acesso

A redução da profundidade operacional do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes pode provocar impactos na movimentação de cargas, segundo a Associação Empresarial de Navegantes (ACIN). A entidade estima que a restrição de calado possa reduzir em até 30% a movimentação do complexo.

A medida foi adotada na terça-feira (11) pela Capitania dos Portos de Itajaí, que aumentou de 0,3 metro para 0,8 metro a folga abaixo da quilha (FAQ) exigida para a navegação. A decisão ocorreu após levantamentos batimétricos identificarem profundidade de apenas 12,2 metros em parte da Bacia de Evolução nº 1. O trecho anteriormente considerado tinha profundidade de 13,6 metros.

Em manifesto assinado pela presidente da ACIN, Débora Celine Bergamaschi, a entidade afirma que a navegabilidade do canal é fundamental para a atividade econômica de Navegantes e de Santa Catarina.

Segundo a associação, o complexo enfrenta um histórico recente de instabilidade nas condições de acesso, com interrupções nos serviços de dragagem registradas em 2025 e novamente em 2026.

Impacto nas operações

Para a ACIN, a nova restrição representa mais um episódio de fragilidade na infraestrutura de acesso ao complexo e pode comprometer a programação de navios.

A entidade cita estimativas do setor segundo as quais a limitação de calado pode resultar em uma redução de até 30% na movimentação de cargas. O impacto pode ser maior no segundo semestre, período tradicionalmente marcado pelo aumento das operações devido às encomendas relacionadas às vendas de fim de ano.

A associação defende que a manutenção das condições de navegabilidade deve ser tratada como uma prioridade para garantir maior previsibilidade aos terminais, armadores e demais empresas que dependem do complexo.

Entidade defende concessão do canal

Como alternativa para reduzir a instabilidade, a ACIN defende a concessão do canal de acesso à iniciativa privada.

Na avaliação da entidade, um contrato de longo prazo, com metas de profundidade previamente estabelecidas e fiscalização do órgão regulador, poderia garantir maior continuidade aos serviços de dragagem e reduzir a necessidade de intervenções emergenciais.

A associação também cobra a manutenção permanente do canal e das bacias de evolução, além da realização de levantamentos atualizados de profundidade.

Para a ACIN, um modelo que assegure a continuidade da dragagem permitiria maior previsibilidade para o planejamento das operações e reduziria os riscos de novas restrições à navegação.

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TAGS Associação Empresarial de Navegantes calado Marinha do Brasil Navegantes PORTO DE ITAJAÍ
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