Portos
Porto antecipa draga após restrição no canal de Itajaí e Navegantes
Equipamento chega até sexta-feira; setor alerta para risco de queda de até 30% na movimentação e defende solução permanente para a dragagem
A Superintendência do Porto de Itajaí (SPI) afirmou que vai antecipar a mobilização de uma draga de sucção para reforçar os trabalhos de dragagem no canal de acesso aquaviário de Itajaí-Navegantes, em Santa Catarina. A medida ocorre após a Capitania dos Portos de Itajaí elevar a folga abaixo da quilha (FAQ) de 0,3 metro para 0,8 metro, na última terça-feira (11).
A alteração foi determinada após levantamentos batimétricos identificarem apenas 12,2 metros de profundidade em parte da Bacia de Evolução nº 1 — área onde a profundidade anteriormente estabelecida era de 13,6 metros.
Ao BE News, o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, explicou que o planejamento inicial previa a chegada da draga de sucção do tipo hopper à região de Itajaí na segunda quinzena de setembro, mas que a mobilização do equipamento foi antecipada diante das condições provocadas pelo fenômeno El Niño.
“Nós estamos com a campanha normal de dragagem, com equipamento de dispersão de lama fluida permanentemente do canal. Antecipamos a draga hopper por conta do fenômeno”, explicou.
Segundo ele, a draga deverá chegar a Itajaí até a madrugada de sexta-feira (14). Após a atuação do equipamento, o porto realizará um novo levantamento batimétrico com o objetivo de atestar a conformidade das medições do canal. A documentação será encaminhada à Autoridade Marítima, responsável pela homologação e pelo restabelecimento da profundidade autorizada.
Em nota, a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), Autoridade Portuária que administra o complexo de Itajaí, confirmou a antecipação da draga tipo hopper, que reforçará os trabalhos no canal de acesso.
O equipamento atua por meio da sucção dos sedimentos depositados no fundo do rio, ampliando a capacidade de manutenção das condições de navegabilidade.
A Codeba reiterou que o canal permanece navegável e afirmou que as medidas adotadas pela Autoridade Portuária e pela SPI têm como prioridade garantir segurança, previsibilidade ao mercado e continuidade das operações.
Alerta do setor
A restrição provocou preocupação entre representantes do setor empresarial. A Associação Empresarial de Navegantes (ACIN) afirmou que estimativas levantadas pelo setor indicam que a limitação pode provocar redução de até 30% na movimentação de cargas do Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes.
Em manifesto assinado pela presidente da entidade, Débora Celine Bergamaschi, a ACIN reiterou a importância da navegabilidade do canal para a atividade econômica de Navegantes e de Santa Catarina.
De acordo com a associação, o acesso ao complexo apresenta um histórico recente de instabilidade, com interrupções no serviço de dragagem no início de 2025 e novamente em 2026.
Para a ACIN, a nova restrição de calado representa mais um episódio “de fragilidade” e pode afetar diretamente a programação dos navios.
A entidade também alerta que os efeitos podem ser mais significativos neste período, já que o segundo semestre concentra tradicionalmente maior volume de movimentação de cargas, impulsionado pelas encomendas relacionadas às vendas de fim de ano.
Concessão do canal
Como alternativa para garantir maior previsibilidade à comunidade portuária, a ACIN defende a concessão do canal de acesso.
Na avaliação da entidade, um contrato de longo prazo, com metas de profundidade previamente estabelecidas e fiscalização do órgão regulador, permitiria transformar a dragagem em uma atividade contínua, reduzindo a dependência de intervenções emergenciais.
A associação também reforçou a necessidade de manutenção permanente e de medições atualizadas do canal e das bacias de evolução, além da adoção de um modelo capaz de assegurar a continuidade dos serviços de dragagem.