Sudeste Export
Ponte de Aribiri vira gargalo para expansão do Porto de Vitória
Obras na BR-447 avançam, mas intervenção na ponte ainda depende da conclusão de análises técnicas para a contratação dos serviços
A Ponte de Aribiri, na Região Metropolitana de Vitória, é apontada como um dos principais gargalos para a expansão logística do Porto de Vitória, justamente em um momento em que a autoridade portuária projeta elevar a movimentação para 13 milhões de toneladas nos próximos três anos.
O problema está relacionado ao acesso pela BR-447, que passa por obras de remodelação. A intervenção na ponte, entretanto, ainda depende da conclusão de análises técnicas para que o processo de contratação dos serviços possa avançar.
O tema foi discutido durante o painel “Porto de Vitória e o desenvolvimento da infraestrutura local de transportes”, realizado no Sudeste Export 2026 e mediado por Leopoldo Figueiredo, diretor-geral da Rede BE News.
Segundo o subsecretário de Desenvolvimento Regional do Governo do Espírito Santo, Celso André Guerra Pinto, os dois primeiros trechos da BR-447 estão em estágio avançado. O terceiro, que fará a ligação com o porto pela Ponte de Aribiri, concentra o principal desafio. A grande dificuldade que nós temos, no momento, é conseguir equacionar a questão da ponte”, afirmou.
De acordo com o subsecretário, a Vports disponibilizou o projeto para a intervenção. A divisão prevista de responsabilidades estabelece que a autoridade portuária ficará responsável pela parte relacionada ao tabuleiro da ponte, enquanto o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) deverá atuar nas fundações e nos pilares.
O projeto ainda passa por avaliação técnica, que pode levar aproximadamente 60 dias. Somente após essa etapa será possível avançar para uma eventual contratação das intervenções. “
É uma avaliação responsável, profunda. Ao final desse período, teríamos a possibilidade de começar algum processo de contratação”, explicou Guerra.
Porto amplia capacidade, mas acesso precisa acompanhar
O gargalo ocorre em um momento de recuperação da capacidade e da produtividade do Porto de Vitória. A diretora Comercial da Vports, Carla Rios do Amaral, afirmou que a movimentação deve chegar a cerca de 9 milhões de toneladas em 2026, ante 7,5 milhões de toneladas no início da concessão. Para os próximos três anos, a projeção é alcançar 13 milhões de toneladas.
A retomada do transporte ferroviário, após aproximadamente 20 anos sem movimentação de cargas pelo Porto de Vitória, é uma das apostas para sustentar o crescimento. Ao mesmo tempo, Carla ressaltou que o transporte rodoviário continuará sendo essencial para a operação. “Não basta termos berços produtivos se o fluxo de veículos não for eficiente”, afirmou.
Segundo a diretora, os gates do porto têm capacidade para processar até três vezes o volume atual. A infraestrutura externa, porém, especialmente na região da Ponte de Aribiri, representa uma limitação. A Vports mantém diálogo com o DNIT em busca de soluções para o acesso ao complexo portuário.
Gargalos reduzem competitividade das rochas
Os impactos da infraestrutura logística também são sentidos pelo setor de rochas ornamentais. O vice-presidente da Centrorochas, Fábio Cruz, afirmou que as dificuldades de acesso e os custos do transporte marítimo contribuíram para reduzir a competitividade das empresas capixabas.
Segundo ele, o setor chegou a movimentar cerca de 35 mil TEUs por ano em exportações, volume que caiu ao longo da última década. Apesar da redução, o faturamento chegou a aproximadamente US$ 1,5 bilhão em 2025, impulsionado pela migração para produtos de maior valor agregado.
Para Cruz, existe demanda internacional pelos produtos brasileiros, mas o país precisa aumentar a competitividade logística para atender a esse mercado. “O Brasil, que hoje exporta US$ 1,5 bilhão, teria potencial para dobrar esse número se fôssemos mais competitivos”, afirmou.
O setor também busca ampliar a presença em mercados como Egito, Oriente Médio e Austrália, em meio às mudanças nas tarifas e nas relações comerciais internacionais.
Retomada ferroviária amplia alternativas
Enquanto o acesso rodoviário permanece como desafio, a conexão ferroviária com o Porto de Vitória começa a ser retomada.
O gerente-executivo Comercial de Terminais da Log-In, Marhmed Hashemj, destacou o crescimento de 58% na movimentação de contêineres do Terminal Portuário de Vila Velha (TVV) nos últimos cinco anos. Segundo ele, a empresa já investiu mais de R$ 260 milhões em tecnologia, equipamentos e modernização. “A expansão da capacidade precisa ocorrer de forma antecipada para evitar que o crescimento das cargas encontre novos gargalos”, afirmou.
Carla também destacou a retomada ferroviária como uma das principais mudanças recentes no complexo portuário. “Após 20 anos, reativamos a ferrovia, permitindo novamente a chegada de cargas pelo Porto de Vitória”, disse.
A autoridade portuária também trabalha para elevar a produtividade dos 14 berços existentes e avalia medidas relacionadas ao porte das embarcações, ao calado e à operação dos rebocadores.
Governo defende articulação
Para Celso Guerra, o caso da Ponte de Aribiri evidencia a necessidade de articulação entre União, governo estadual, autoridade portuária e setor privado para viabilizar os investimentos em infraestrutura.
O subsecretário destacou que o Espírito Santo tem buscado manter diálogo entre os diferentes atores envolvidos nos projetos. “Aqui, o Espírito Santo é um estado onde o público e o privado conversam com muita facilidade”.