Sudeste Export
Descabornização e transição energética ganham destaque no Sudeste Export
Fórum reuniu representantes do setor para discutir alternativas para reduzir emissões e ampliar a sustentabilidade na infraestrutura de transportes
A descarbonização do setor de transportes no Sudeste esteve entre os principais temas do painel InfraESG, realizado durante o Fórum Sudeste Export 2026, nos dias 13 e 14 de agosto, em Vitória (ES). A região concentra os maiores volumes de carga e a rede mais ampla de integração entre rodovias, ferrovias e portos do país. A superintendente de Sustentabilidade, Pessoas e Inovação da ANTT (SUSPI), Cynthia Ruas, representou o diretor Felipe Queiroz no debate.
Promovido pelo Grupo Brasil Export em parceria com a ANTT, o evento reuniu representantes de concessionárias, operadores logísticos e órgãos de planejamento para discutir estratégias e soluções para a transição energética nos modais rodoviário, ferroviário e de cabotagem.
Durante o painel, Cynthia Ruas apresentou os avanços do Programa de Sustentabilidade para Infraestrutura de Rodovias e Ferrovias Federais (PSI), que estabelece parâmetros de desempenho sustentável (PDS) e um índice de desenvolvimento (IDS) para avaliar a evolução das concessionárias na implementação de práticas ESG.
Até o momento, 31 concessionárias aderiram voluntariamente ao PSI, sendo 21 do modal rodoviário e 10 do ferroviário. Treze delas já estão no nível mais exigente do programa. O PSI permite um incremento mínimo de 2% na receita para investimentos em projetos de descarbonização e resiliência climática. Em 2024, foram emitidos R$ 132 bilhões em debêntures de infraestrutura.
As concessionárias que aderiram ao Nível I do PSI já passaram pela avaliação de cumprimento dos requisitos de sustentabilidade. Todas foram aprovadas, e a classificação nesse nível já foi homologada por portaria. A ANTT inicia agora a apuração do cumprimento dos requisitos das concessionárias que aderiram aos Níveis II e III, os estágios mais avançados do programa. “Das empresas que não aderiram, algumas estão em trabalhos iniciais e outras em renegociação de contrato, por exemplo”, explicou a superintendente.
Novas adesões
A ANTT estuda ainda a criação de uma janela permanente para novas adesões ao programa. A proposta é adotar um hábito de tramitação acelerada, o chamado fast tracking, para realizar as etapas do processo de forma simultânea, em vez de uma após a outra, agilizando a análise e a aprovação dos pedidos.
O mecanismo deve permitir que concessionárias que não puderam se inscrever no prazo inicial tenham as mesmas oportunidades na etapa de divulgação dos projetos aprovados, prevista para dezembro.
O PSI foi criado em modelo de sandbox regulatório, um ambiente controlado que permite testar soluções antes da aplicação em larga escala. O programa tem como diretrizes a redução das emissões de gases de efeito estufa, a adaptação da infraestrutura para promoção de sua resiliência e a responsabilidade social.
No Sudeste, onde estão concentrados os maiores volumes de carga do país, a ampliação da participação ferroviária é um dos fatores principais dessa transição. O modal já responde por 19% da carga transportada no Brasil, mas por apenas 4% das emissões do setor de transportes.
Participação feminina
Quatro das seis cadeiras do painel foram ocupadas por mulheres: na moderação do debate, na representação da ANTT e na direção de sustentabilidade das concessionárias que operam os principais eixos logísticos do Sudeste. O dado reflete quem conduz, hoje, tecnicamente a agenda de descarbonização da infraestrutura brasileira.