Mineração
Acordo impulsiona eletrificação renovável na América Latina
Parceria entre GRA e OLACDE prevê cooperação em infraestrutura energética, regulação e investimentos, ampliando perspectivas para as cadeias de minerais críticos
A expansão da eletrificação renovável na América Latina e no Caribe deverá ampliar a necessidade de investimentos em infraestrutura energética, redes de transmissão, armazenamento e tecnologias que dependem de minerais críticos, como cobre, lítio, níquel e terras raras. Durante a 11ª Semana de Energia da Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (OLACDE), realizada de 6 a 9 de outubro, em Santo Domingo, na República Dominicana, a Global Renewables Alliance (GRA) e a OLACDE assinaram um memorando de entendimento para acelerar a eletrificação renovável e fortalecer a cooperação regional. O acordo prevê compartilhamento de conhecimento, eventos e participação de especialistas em iniciativas conjuntas. A parceria contempla políticas públicas, regulação, expansão das redes elétricas, armazenamento de energia e mobilização de investimentos. A expansão das fontes renováveis aumenta a importância das matérias-primas minerais. Países como Brasil, Chile, Argentina e Peru podem ampliar sua participação nas cadeias globais de fornecimento desses materiais.
A Semana de Energia reúne autoridades dos 27 países-membros da OLACDE, mais de 200 painelistas e aproximadamente 3 mil participantes. Durante a conferência, a GRA defendeu que a eletrificação ocupe posição central nas propostas que a América Latina e o Caribe apresentarão à 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), prevista para novembro. “Para expandir a eletrificação, precisamos aumentar a geração renovável, expandir as redes elétricas e o armazenamento de energia, promover a eficiência e garantir regras estáveis. Governos e empresas precisam coordenar o planejamento, o licenciamento e o financiamento para transformar projetos em realidade”, afirmou Bruce Douglas, CEO da GRA.
Apesar da elevada participação de fontes renováveis na matriz elétrica regional, a substituição dos combustíveis fósseis em transportes e na indústria ainda representa um desafio. Segundo Andrés Rebolledo, secretário-executivo da OLACDE, aproximadamente 70% da eletricidade produzida na região vem de fontes renováveis. “A América Latina e o Caribe são a região mais verde do mundo. Setenta por cento da nossa eletricidade vem de fontes renováveis. A energia solar e a eólica, em particular, cresceram enormemente e atualmente respondem por 20%, enquanto a hidrelétrica responde por 43% e faz parte da nossa história há muito tempo”, destacou. No Caribe, porém, os combustíveis fósseis representam cerca de 97% da energia primária, em grande parte importada. A expansão das renováveis pode reduzir as emissões e a exposição dos países às oscilações internacionais dos preços dos combustíveis.
Integração e investimentos
Para Joel Santos, ministro de Energia e Minas da República Dominicana, a integração regional será determinante para transformar o potencial energético em desenvolvimento econômico. “A América Latina e o Caribe têm recursos extraordinários para se tornarem atores-chave no novo cenário energético global. No entanto, nenhum país pode enfrentar sozinho os desafios que temos pela frente”, afirmou.
Minerais críticos
A ampliação da eletrificação renovável também reforça a conexão entre energia e mineração. Redes elétricas, parques eólicos, usinas solares, baterias e equipamentos de eletrificação exigem matérias-primas minerais. O cobre é utilizado em cabos, motores e sistemas elétricos; o lítio e o níquel, em determinadas baterias; e elementos de terras raras, em ímãs presentes em parte dos aerogeradores e motores elétricos. Para os produtores, há oportunidades em pesquisa mineral, novos projetos e processamento. O Brasil reúne condições de participar desse movimento pela disponibilidade de recursos minerais e pela elevada participação de fontes renováveis em sua matriz elétrica. O avanço também impõe desafios à mineração, como ampliar a oferta de matérias-primas, garantir previsibilidade aos investimentos e desenvolver projetos alinhados às exigências ambientais e sociais. Embora o acordo entre GRA e OLACDE se concentre na cooperação energética, suas prioridades evidenciam a importância das cadeias de suprimento para a expansão das tecnologias renováveis.