Região Sudeste
Acordo Mercosul-UE pode dobrar movimentação no Porto de Santos
Tratado de livre comércio envolve 27 países, reúne mercado de 718 milhões de consumidores e deve impulsionar exportações, infraestrutura logística e novos investimentos no maior porto do hemisfério Sul
A aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, prevista pelo vice-presidente Geraldo Alckmin para ser assinada no próximo sábado (17), deve provocar um salto expressivo na movimentação de cargas do Porto de Santos. Considerado um dos maiores acordos de livre comércio do mundo, o tratado reúne 27 países, um mercado potencial de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) somado de US$ 22,4 trilhões.
O avanço da corrente comercial entre os blocos tende a ampliar tanto as exportações quanto as importações brasileiras, com reflexos diretos no Porto de Santos, principal complexo portuário do país e do hemisfério Sul. A expectativa é de que o crescimento médio anual de 5% no volume de cargas possa dobrar nos próximos anos, exigindo respostas rápidas em infraestrutura e logística.
Para o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, o Porto já se prepara para esse novo ciclo de expansão. Estão em andamento obras estratégicas, como o aprofundamento do canal de navegação, a melhoria dos acessos viários às duas margens do estuário e o projeto do túnel Santos-Guarujá. Segundo ele, outras iniciativas também são fundamentais para destravar o potencial do complexo portuário.
“É importante desatar os nós que ainda retardam a implantação do Tecon Santos 10, a ampliação da Poligonal do Porto, a implantação de condomínios logísticos para caminhões e outras medidas que já estão em curso. São ações que preparam o Porto de Santos para os próximos 20 anos”, afirmou Pomini.

Expectativa é de que o crescimento médio anual de 5% no volume de cargas possa dobrar nos próximos anos com novo acordo comercial. Foto: Divulgação/APS
Entre os setores que devem se beneficiar diretamente do acordo estão o agronegócio brasileiro, a indústria de máquinas e veículos e a aviação, com destaque para a Embraer. Diversos produtos terão acesso facilitado ao mercado europeu, com redução ou eliminação de tarifas ao longo dos próximos anos.
No setor de carnes, por exemplo, a carne bovina, suína e de aves contará com cotas preferenciais e redução tarifária. Frutas frescas como abacate, melão e uva de mesa poderão entrar na Europa sem tarifas em até sete anos. O café, nas versões torrado, moído e solúvel, terá redução gradual de tarifas até chegar à alíquota zero em até cinco anos. Etanol e açúcar também terão cotas preferenciais, enquanto produtos como suco de laranja, peixes, crustáceos e óleos vegetais devem ter tarifas eliminadas.
“O Porto de Santos cresce, em média, 5% ao ano em volume de cargas. Com esse acordo, há a possibilidade concreta de esse crescimento dobrar. Precisamos agir com rapidez para dar conta dessa nova realidade que se aproxima”, avaliou o presidente da APS.
Além do impacto direto com a União Europeia, Pomini destaca que o acordo pode abrir portas para novas frentes comerciais. Segundo ele, a repercussão de um tratado negociado ao longo de cerca de 26 anos pode despertar o interesse de grandes economias da Ásia, como a Índia, além de países do Oriente Médio, ampliando ainda mais o protagonismo do Mercosul e do Brasil no comércio global.
“A partir desse acordo, podem surgir ganhos ainda imensuráveis, com novas parcerias e oportunidades para o país”, concluiu.