Internacional
Alerta dos EUA leva seis aéreas a interromper voos para a Venezuela
FAA cita aumento da atividade militar; operações antidrogas americanas e críticas de Maduro elevam tensão na região
As conexões aéreas entre a Venezuela e o exterior passaram a sofrer uma nova onda de interrupções desde sábado (22), após um alerta emitido pelo governo dos Estados Unidos à aviação civil sobre um “aumento da atividade militar” no país e em áreas próximas do Caribe. O comunicado americano, divulgado pela Administração Federal de Aviação (FAA), levou companhias internacionais a rever imediatamente suas operações na região.
De acordo com as associações de linhas aéreas (Alav) e de agências de viagens (Avavit), seis empresas haviam suspendido temporariamente seus voos até sábado: a espanhola Iberia, a portuguesa TAP, a colombiana Avianca, a brasileira Gol e a chilena Latam. A Alav também havia incluído a Caribbean Airlines entre as companhias que interromperam suas operações, mas a empresa de Trinidad e Tobago já não voa para a Venezuela desde setembro.
A Turkish Airlines tornou-se a mais recente companhia a rever sua malha, comunicando o cancelamento dos voos previstos entre os dias 24 e 28. Segundo a presidente da Avavit, Vicky Herrera, nem todas as empresas detalharam o período de interrupção.
O alerta da FAA, emitido na sexta-feira (21), orientou aeronaves que sobrevoam o espaço aéreo venezuelano a “aumentar sua precaução” diante do que a agência classificou como “agravamento da situação de segurança e aumento da atividade militar na Venezuela e em seus arredores”. O documento foi publicado no mesmo momento em que os Estados Unidos reforçaram sua presença militar no Caribe, destacando o maior porta-aviões do mundo, além de navios de guerra e caças, para operações antidrogas.
Washington sustenta que a mobilização faz parte de ações ampliadas contra o narcotráfico. Desde setembro, forças americanas destruíram mais de 20 embarcações supostamente usadas por organizações criminosas que atuariam no Mar do Caribe e no Pacífico oriental, resultando na morte de 83 pessoas. O governo venezuelano, porém, acusa os Estados Unidos de usar as operações como pretexto para “ameaçar” o país e desestabilizar o presidente Nicolás Maduro.