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Portos

Após reflutuar, navio Besnard será levado a estaleiro para avaliação

17 de junho de 2026 às 16:20
Júnior Batista Enviar e-mail para o Autor

Apesar do anúncio, ainda não há data para o navio navegar até o local, já que a ação depende da autorização da Capitania

Após voltar a flutuar no cais do Parque Valongo, em Santos, o navio oceanográfico Professor W. Besnard será encaminhado para um estaleiro, onde passará por uma avaliação técnica que definirá seu destino final. A remoção ainda depende de autorização da Capitania dos Portos, o que não tem data ainda, e a embarcação deverá permanecer no local por alguns meses para análise estrutural.

A informação foi confirmada nesta quarta-feira (17) pelo presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, após a conclusão da operação de reflutuação. “Depois de quase 90 dias, o navio voltou a reflutuar, voltou a respirar”, afirmou.

Segundo Pomini, a etapa concluída representa o principal objetivo emergencial da operação iniciada após o adernamento do navio, que permaneceu parcialmente submerso por quase três meses. Apesar disso, a possibilidade de navegação ainda dependerá de avaliação da Capitania dos Portos.

O contrato com a empresa Marfort Serviços Marítimos, responsável por toda essa operação,  foi firmado no valor de R$ 8,6 milhões, e prevê também o traslado para o estaleiro e seis meses de locação.

No estaleiro, serão analisadas as condições do casco e da estrutura da embarcação. A partir desse diagnóstico, serão definidos os próximos passos, que podem incluir desde a recuperação parcial até a revitalização completa ou ainda o aproveitamento de partes do navio em um projeto de memória.

Entre as alternativas em discussão está a criação de um espaço permanente no próprio Parque Valongo, com elementos preservados do navio. “Ele será cortado em parte para que receba as homenagens devidas aqui no Parque Valongo, ele poderá ser revitalizado, o que envolve custo, inclusive a gente vai provocar através de uma enquete para todos que possam sugerir qual é o melhor destino do navio. De uma forma ou de outra, ele será homenageado aqui no Parque Valongo”, disse Pomini.

Ainda segundo ele, a decisão final levará em conta principalmente os custos envolvidos e deverá contar com a participação dos proprietários da embarcação, além de entidades ligadas à preservação histórica e representantes da comunidade portuária. A autoridade portuária também pretende abrir consulta pública para discutir o futuro do navio.

Pomini afirmou ainda que o contrato para a operação de reflutuação foi mantido dentro do valor inicialmente previsto, estimado em R$ 8,5 milhões, sem acréscimo de custos devido ao prazo maior para conclusão dos trabalhos. “O que contratamos foi a prestação do serviço. O valor permanece o mesmo”, afirmou.

Histórico

O Professor Besnard possui relevância histórica para a ciência brasileira. Construído na Noruega e incorporado à Universidade de São Paulo (USP) em 1967, o navio foi referência em pesquisas oceanográficas e participou de importantes campanhas científicas, incluindo estudos sobre o litoral brasileiro e expedições à Antártica.

Ao longo de décadas, a embarcação foi utilizada em pesquisas sobre biodiversidade marinha, circulação oceânica e preservação ambiental. Já fora de operação, passou a integrar projetos voltados à revitalização da região do Valongo e à criação de um espaço dedicado à memória marítima e científica.

O afundamento parcial registrado neste ano interrompeu esses planos e reacendeu o debate sobre preservação patrimonial e financiamento para recuperação. Ao comentar o futuro do navio, Pomini fez um apelo por apoio institucional e da iniciativa privada. “A história não pertence ao porto, não pertence a uma prefeitura ou a uma entidade. Pertence ao Brasil”.

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TAGS História Marítima navegação Navio Professor Besnard PORTO DE SANTOS USP
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