Agronegócio
Arco Norte cresce 57% e muda a geografia do escoamento do agro
Rotas acima do chamado paralelo 16 Sul responderam por 39,5% das exportações brasileiras de soja e milho em 2025
O Arco Norte ampliou em cerca de 57% a movimentação de soja e milho em quatro anos, passando de 36,7 milhões de toneladas em 2020 para 57,6 milhões de toneladas em 2024. Em 2025, as rotas localizadas acima do chamado paralelo 16°S (que corta o meio do País) responderam por 39,5% das exportações brasileiras desses dois produtos, sinalizando uma mudança na geografia de escoamento do agronegócio nacional.
O avanço é resultado da combinação entre expansão das fronteiras agrícolas e investimentos em infraestrutura logística, com maior integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias e terminais portuários. A participação do Arco Norte chegou a 36,2% nas exportações de soja e a 48% nos embarques de milho em 2025.
A mudança, porém, não representa a substituição dos grandes portos do Sul e Sudeste. Santos e Paranaguá continuam concentrando volumes expressivos, enquanto os corredores do Norte passaram a oferecer novas alternativas para regiões produtoras, especialmente no Centro-Oeste e no Matopiba.
O resultado é uma matriz de exportação mais diversificada, com a produção agrícola encontrando diferentes caminhos até os mercados internacionais.
BR-163 e Miritituba
Um dos principais vetores dessa transformação é o corredor formado pela BR-163 e pelos terminais de Miritituba, no Pará. A rodovia passou a desempenhar papel central na ligação entre as áreas produtoras de Mato Grosso e a estrutura hidroviária amazônica.
A lógica do corredor combina transporte rodoviário entre as fazendas e os terminais de transbordo com a utilização de comboios de barcaças nos rios amazônicos. A carga segue posteriormente para terminais com conexão ao transporte marítimo internacional.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) relaciona o crescimento das exportações pelo Norte justamente à integração entre rodovias, ferrovias e terminais portuários, além da expansão das fronteiras agrícolas e do maior uso das hidrovias da região.
Esse sistema, no entanto, também apresenta desafios. A navegação amazônica é sensível às condições dos rios e aos períodos de seca, o que coloca a previsibilidade operacional entre os pontos que precisam ser considerados na expansão do corredor.
A expansão do Arco Norte aumenta também a pressão por novas alternativas ferroviárias. Nesse cenário, a Ferrogrão (EF-170) aparece como um dos principais projetos para ampliar a capacidade de transporte entre a região produtora de Mato Grosso e os terminais de Miritituba.
O projeto prevê uma ligação ferroviária entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), criando uma alternativa ao transporte predominantemente rodoviário utilizado atualmente no corredor.
A ferrovia também é apresentada como uma possibilidade de ampliar a integração entre os diferentes modais que compõem o Arco Norte. A conexão com terminais hidroviários permitiria combinar o transporte ferroviário de grandes volumes no trecho terrestre com a navegação por barcaças e, posteriormente, com o transporte marítimo.
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