Aviação
Aviação na Região Norte tem melhor início de ano em uma década
Crescimento no fluxo de passageiros impulsiona debate sobre infraestrutura e conectividade em uma das regiões mais remotas do país
A Região Norte registrou, entre janeiro e abril deste ano, o maior fluxo de passageiros nos aeroportos desde 2015. Ao todo, 1,8 milhão de pessoas circularam pelos terminais da região no período, número que representa crescimento de 3% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos.
Os voos domésticos responderam pela maior fatia do movimento, com 1,7 milhão de embarques e desembarques — alta de 1,2% sobre 2025. Os internacionais apresentaram salto mais expressivo: 72.397 passageiros, avanço de 29%, tendo o Panamá como principal destino.
O desempenho acompanha e, em alguns aspectos, supera a tendência nacional: os aeroportos brasileiros receberam 33,7 milhões de passageiros no quadrimestre, superando os três anos anteriores, com crescimento de 6,4% ante 2025.
BELÉM E MANAUS
Dentro da região, Belém concentrou o maior volume de passageiros, com 602.187 registros no Aeroporto Internacional Júlio César Ribeiro. A cidade, que sedia a COP 30 em novembro, tem consolidado sua posição como principal porta de entrada da Amazônia.
Manaus ficou na sequência, com 477.997 passageiros no Eduardo Gomes, o terminal que carrega a influência direta da Zona Franca sobre o movimento aéreo local. Palmas, em Tocantins, aparece na terceira posição, com 111.673, seguida de Porto Velho, em Rondônia, com 91.235, e Santarém, no Pará, com 77.726.
No setor de cargas, a Zona Franca de Manaus mantém seu peso sobre os números regionais: das 16 mil toneladas transportadas no quadrimestre, mais de 13,8 mil saíram da capital amazonense. Março foi o mês de maior movimentação, com 5,1 mil toneladas — resultado levemente abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. O total nacional chegou a 146 mil toneladas até abril, o que reforça o papel da região como corredor logístico relevante para o país, mesmo que ainda aquém do seu potencial.
PROGRAMA
Para ampliar a infraestrutura que sustenta esse crescimento, o Ministério de Portos e Aeroportos criou o Programa AmpliAR, voltado à modernização de aeroportos regionais, sobretudo em áreas com menos acesso a transporte aéreo.
A iniciativa prevê mais de R$ 5 bilhões em investimentos privados e tem como meta contemplar até 100 terminais em todo o país. N
a Região Norte, três aeroportos já têm operação definida no programa: Cacoal e Vilhena, em Rondônia, e Araguaína, em Tocantins.
Para o secretário de Aviação Civil, Daniel Longo, os números do quadrimestre traduzem uma mudança de patamar. Segundo ele, o crescimento no fluxo de passageiros revela uma demanda por conectividade cada vez maior, especialmente em uma região onde o avião aproxima pessoas, serviços e oportunidades que de outra forma ficariam distantes.