Internacional
Brasil busca apoio russo para ampliar matriz com usinas nucleares
Em Moscou, Lula destaca interesse na experiência russa com reatores de pequeno porte e diz querer aprofundar a cooperação bilateral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou na sexta-feira (9), em Moscou, o interesse do Brasil em aprofundar a cooperação com a Rússia na área energética, especialmente com foco na experiência russa em pequenas usinas nucleares. A afirmação foi feita após reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, na qual os dois líderes também discutiram temas comerciais, políticos e multilaterais.
“Temos um interesse muito grande de ampliar nossa relação com a Rússia, sobretudo na área energética”, disse Lula, ao lado de Putin. O presidente brasileiro enfatizou que a expertise russa pode contribuir para o desenvolvimento do setor no Brasil, especialmente com soluções nucleares adaptadas às necessidades regionais.
A comitiva brasileira incluiu o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, Elmar Nascimento. Também foram assinados acordos bilaterais na área de ciência e tecnologia.

A reunião entre Lula e Putin ocorreu no mesmo dia em que a Rússia celebrou os 80 anos da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Durante o encontro, Lula também mencionou o desejo de reduzir o déficit comercial com a Rússia, apesar do volume recorde registrado no ano passado. Em 2024, o comércio bilateral somou US$ 12,4 bilhões — com exportações brasileiras de US$ 1,4 bilhão e importações de US$ 11 bilhões. O Brasil vende principalmente soja (33%), café não torrado (18%) e carne bovina (18%), enquanto compra óleos combustíveis (57%) e fertilizantes (34%).
A reunião entre Lula e Putin ocorreu no mesmo dia em que a Rússia celebrou os 80 anos da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, com desfile cívico-militar na Praça Vermelha. A visita do presidente brasileiro coincidiu com o momento simbólico da cerimônia e com um cenário internacional de tensões geopolíticas e comerciais.
Lula aproveitou o encontro para criticar medidas unilaterais dos Estados Unidos no comércio internacional. “As últimas decisões anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos […] jogam por terra a grande ideia do livre comércio, do fortalecimento do multilateralismo e, muitas vezes, o respeito à soberania dos países que nós temos que ter”, declarou.
Paz
O presidente brasileiro também reafirmou a disposição do Brasil em colaborar com iniciativas diplomáticas voltadas à solução pacífica da guerra na Ucrânia, em parceria com a China e o Grupo de Países Amigos da ONU. “Reiterei ao presidente Putin o compromisso do Brasil com a paz”, disse Lula.
Putin afirmou que as relações bilaterais seguem em desenvolvimento e elogiou o papel do Brasil como um dos principais compradores de alimentos russos. O presidente russo também reiterou o potencial de cooperação nos setores energético e tecnológico.
O diálogo entre os dois países é constante em fóruns multilaterais como o BRICS, o G20 e a ONU, o que reforça a interlocução mesmo diante de divergências em temas internacionais sensíveis.
Ainda na sexta-feira, Lula tinha reunião prevista com o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, antes de seguir viagem para a China. Em Pequim, o presidente participará da cúpula entre a China e os países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), nos dias próximos dias 12 e 13, e fará uma visita de Estado com assinatura de acordos bilaterais em diversas áreas.