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Internacional

Brasil vai enviar avião para distribuir alimentos na Bolívia

Atualizado em: 27 de maio de 2026 às 14:54
Da Redação Enviar e-mail para o Autor Agência Brasil

Protestos bloqueiam estradas entre La Paz e Santa Cruz de La Sierra. Aeronave vai levar insumos e embarcar alimentos de uma cidade e levar para outra

O Brasil vai transportar internamente alimentos entre as cidades bolivianas de Santa Cruz de La Sierra, região mais baixa do país, até a capital, La Paz. A ajuda humanitária ocorre em meio aos protestos pela renúncia do presidente Rodrigo Paz. 

A operação, ainda sem data prevista, é coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ministério do Desenvolvimento Agrário, em parceria com o Ministério da Defesa, que solicitará a aeronave à Força Aérea Brasileira (FAB).

O avião deve partir de Brasília até La Paz com alimentos, para minimizar os efeitos dos bloqueios de estradas que já duram mais de três semanas, o que causa desabastecimento na capital boliviana.

Após descarregar os mantimentos, a aeronave transportará, de uma cidade a outra, itens fornecidos pelas próprias autoridades ou outras organizações do país andino.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou na segunda-feira (25) com o líder andino, que solicitou a ajuda humanitária. Em nota à imprensa, a Presidência da República informou que Lula reiterou “sua solidariedade ao governo e ao povo bolivianos”, ao destacar a importância do “respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito”. 

“Nesse contexto, defendeu que governo e movimentos sociais evitem o recurso à violência e privilegiem o diálogo como caminho para a superação das divergências e para a preservação da paz social”, destacou o comunicado.

Entenda

O país andino enfrenta uma série de protestos e bloqueio de estradas que se transformou, ao longo das últimas semanas, em uma revolta popular com participação de camponeses, indígenas, mineiros, professores e outros setores sociais.

Decisões do novo presidente boliviano, que assumiu o poder há apenas seis meses após quase 20 anos de hegemonia da esquerda, vinha provocando manifestações no país desde o início do mandato, em dezembro de 2025, com um decreto que retirava o subsídio à gasolina.

Os protestos aumentaram depois de camponeses e indígenas acusarem o governo de promulgar leis fundiárias com o objetivo de prejudicar pequenos agricultores em favor de grandes empresários do agronegócio. 

O governo alega que a lei buscava fortalecer a agricultura do país que passa por grave crise econômica. Devido à pressão popular, a lei foi revogada. Mesmo assim, os protestos cresceram.

Impasse

A repressão aos atos já deixou mortos, feridos e levou diversos dirigentes à prisão. O governo de Rodrigo Paz acusa os protestos de terem ligação com narcotraficantes, versão que vem sendo respaldada pelos Estados Unidos (EUA).

Por outro lado, os manifestantes pedem a renúncia do líder que, segundo organizações campesinas e mineiras, perdeu as condições de governar.

O ex-presidente Evo Morales, apontado pelo governo boliviano como um dos instigadores dos protestos, tem sugerido que sejam convocadas novas eleições ou que o governo se comprometa a não privatizar mais nada, abrindo mão das medidas “neoliberais” que tem tomado.

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