Transportes
Cabotagem cresce 3,3% até setembro, impulsionada por cargas feeder
Transporte ligado ao comércio exterior ganha espaço, enquanto movimentação doméstica perde força no terceiro trimestre
A navegação de cabotagem brasileira movimentou 1,38 milhão de TEU entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi sustentado pelas cargas feeder, ligadas ao comércio exterior, que superaram o volume de contêineres domésticos transportados pelas empresas associadas à Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (ABAC). Os dados constam do levantamento estatístico divulgado pela entidade.
No terceiro trimestre, a cabotagem alcançou 480.572 TEU, alta de 3% na comparação anual. As cargas feeder cresceram 8,2%, para 245.467 TEU, enquanto a movimentação doméstica recuou 1,9%, para 235.105 TEU. A trajetória dos dois segmentos foi distinta ao longo do ano: o transporte doméstico avançou 8,3% no primeiro trimestre e 4,2% no segundo, antes da queda entre julho e setembro. Já o feeder, após recuar 12% nos três primeiros meses, cresceu 7,6% no trimestre seguinte.
No acumulado até setembro, as cargas feeder somaram 711.748 TEU, alta de 0,7% sobre 2025, ante 670.046 TEU domésticos, com expansão de 3,2%. A modalidade feeder compreende o transporte marítimo entre portos brasileiros de contêineres com origem ou destino no exterior. Já a carga doméstica circula entre portos nacionais para atender ao mercado interno.
Mercosul em alta
Além da cabotagem, a ABAC acompanha as operações com países do Mercosul. Esse transporte cresceu 14% no terceiro trimestre, para 41.762 TEU, e 47,8% nos primeiros nove meses do ano, quando atingiu 120.488 TEU. Foi a maior expansão percentual entre os três segmentos, embora o volume permaneça inferior ao das cargas domésticas e feeder.
Incluindo as operações do Mercosul, as empresas de navegação associadas movimentaram 1.502.282 TEU de janeiro a setembro, avanço de 4,5% ante igual período de 2025. Apenas no terceiro trimestre, foram 522.334 TEU, alta de 3,8%. O ritmo de crescimento acumulado ficou abaixo do registrado no fechamento de 2025, quando o volume total das associadas havia aumentado 23,6% em relação a 2024.
Para o diretor-executivo da ABAC, Luis Resano, o avanço das cargas feeder reforça a integração entre o transporte marítimo nacional e as rotas internacionais. “Ao conectar os portos brasileiros às grandes rotas internacionais, as EBNs ampliam o alcance do comércio exterior e contribuem para uma operação logística mais eficiente e competitiva”, afirmou.
Estiagem e perspectivas
A evolução do setor ocorre em um período de restrições à navegação na Amazônia. A redução do nível dos rios diminui o calado disponível para os navios, exigindo ajustes no carregamento e, em alguns casos, transbordos para balsas no atendimento a Manaus. Em entrevista ao portal Portos e Navios, reproduzida pelo Sinaval, Resano mencionou dificuldades relacionadas às limitações de navegação e à autorização da sobretaxa de seca, cobrada para compensar custos adicionais das operações na vazante.
Segundo o executivo, informações da autoridade marítima na última semana de outubro indicavam calado máximo recomendado em torno de 10,2 metros. A recuperação dos níveis dos rios, porém, ainda poderia levar de uma a duas semanas para se refletir em pontos do acesso fluvial à capital amazonense, como a passagem do Tabocal e a enseada do Madeira.
A ABAC prevê que a movimentação permaneça pressionada em outubro e novembro, com possibilidade de recuperação mais intensa em dezembro, caso melhorem as condições de navegação e sejam transportadas as cargas represadas pela estiagem. Resano projetou crescimento do setor próximo de 10% no fechamento de 2026, expectativa condicionada ao comportamento das operações no último trimestre.