Ferrovias
Ceará inicia construção de terminal que vai conectar Pecém à Transnordestina
Obras do TUP da Nordeste Logística começaram nesta terça-feira (16), em parceria com a Companhia Siderúrgica Nacional; investimento é de R$ 1,3 bilhão
As obras do Terminal de Uso Privado (TUP) da Nordeste Logística começaram nesta terça-feira (16), em parceria com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O investimento de R$ 1,3 bilhão resulta em uma estrutura que liga o Porto do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza, aos trilhos da ferrovia Transnordestina, que está sendo construída. Quando concluído, o terminal será destinado para armazenagem e movimentação de cargas.
Segundo o Complexo do Pecém, a obra deve gerar mil empregos diretos nesta fase, que inclui uma ponte para descarga de minério, um viaduto ferroviário e uma moega para descarga de grãos. As operações têm início projetado para 2028, quando o terminal deve alcançar, de forma gradual, capacidade de 30 milhões de toneladas por ano.
Estiveram presentes na cerimônia o governador Elmano de Freitas, o diretor executivo de Infraestrutura e Logística da CSN, Tufi Daher, o presidente do Complexo do Pecém, Max Quintino, o diretor-presidente da Transnordestina, Ismael Trinks, a superintendente do Banco do Nordeste, Eliane Brasil, o secretário do Desenvolvimento Econômico, Fábio Feijó, e o presidente da ZPE Ceará, Rafael Sá, entre outros nomes.
“Estamos transformando a logística do Brasil e o Porto do Pecém fazendo parte disso. Estamos construindo uma nova economia no Ceará, com mais oportunidade de emprego e trabalho, para beneficiar a vida do povo cearense”, afirmou o governador.
PROJETO
Mesmo antes de a obra começar a operar, a CSN já projeta os próximos passos: ampliar a área do terminal, hoje com 84 hectares, para acompanhar a demanda que a ferrovia vai trazer.
Tufi Daher resumiu essa lógica ao comentar os planos da companhia. “Não adiantava a gente fazer a ferrovia, chegar com ela até o final de 2027, e não ter um terminal para recepcionar os grãos do Matopiba, o minério da região do Piauí, receber fertilizantes importados, carga geral”, disse.
A mesma lógica de expansão orienta o Complexo do Pecém como um todo. Max Quintino relacionou o novo terminal à chegada de outros investimentos privados à região, motivada pelo desempenho que o porto já tem hoje.
“Nós temos hoje um dos portos mais eficientes do país, por isso essa demanda e procura intensa. O nosso papel é justamente atrair cada vez mais o investidor e conectar essas obras. Todo o nosso perímetro são 19 mil hectares. A gente tem uma capacidade de expansão muito significativa, que é outro diferencial nosso”, declarou.
AVANÇO DA FERROVIA
Enquanto o terminal sai do papel, a construção da ferrovia que vai alimentá-lo segue. A primeira fase da Transnordestina tem 82% de execução, com cerca de cinco mil trabalhadores envolvidos na obra atualmente, e orçamento total de R$ 15 bilhões.
A conclusão dessa etapa está prevista para 2027 — um ano antes do terminal entrar em operação. Ao longo de 1.206 quilômetros, a ferrovia vai ligar Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto do Pecém, passando por 53 municípios, trajeto que deve facilitar o transporte de grãos, fertilizantes, cimento, combustíveis e minério produzidos na região.
O diretor-presidente da Transnordestina relacionou o resultado ao avanço simultâneo das frentes de trabalho que faltam para a obra chegar ao litoral. “Hoje, temos todos os lotes necessários para chegar com a ferrovia ao Porto do Pecém. São oito lotes contratados, somando R$ 4 bilhões em contratos. Este mês, concluímos as obras do 4 e 5, também temos obras do 6, 7, 8, 9, 10 e 11”, detalhou Ismael.