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CNI ainda aposta em acordo com os Estados Unidos para evitar tarifaço
Confederação da Indústria alerta para impacto sobre setores que dependem do mercado americano; Haddad diz ver sinais de abertura para o diálogo
A três dias do prazo para o cumprimento da promessa de aplicação de tarifas de 50% nas importações brasileiras, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) ainda acredita num acordo com o governo norte americano. “Estamos com 50% de chance de sim, 50% de chance de não. Porque nós temos visto nos últimos, nos últimos dias, que minuto a minuto, a gente consegue ter novidade no cenário. Nós temos acompanhado as notícias e temos visto alguns sinais de alguns setores podem estar chegando perto de alguma exceção”, disse a gerente de Promoção Comercial da CNI, Tatiana Farah.
A justificativa para convencer o governo norte-americano é que o próprio país seria o principal prejudicado com a tarifa. O estudo feito pela CNI mostra que a queda no PIB dos Estados Unidos chegaria a 0,37% com as barreiras tarifárias impostas ao Brasil. Mais alta até que a queda no PIB brasileiro, que seria de 0,16%. “O setor aeronáutico, por exemplo, é bastante sensível, sobretudo não só de aeronaves inteiras, mais equipamentos, partes de equipamentos, painéis para manutenção de equipamentos e a frota regional americana. Ela é bastante significativa no que diz respeito a produtos desenvolvidos no Brasil, completou Tatiana.
O estudo da CNI também mostra que no Brasil, o setor mais prejudicado seria o de tratores e máquinas agrícolas. A queda nas exportações seria de 23,6%. No setor de aeronaves, a retração seria de 22,33%; e de carnes de aves, de 11,31%.
A principal preocupação da CNI é com setores da indústria brasileira que fabricam exclusivamente para o mercado dos Estados Unidos. Caso de parte da construção civil, como peças para as residências em madeira, desenhadas especificamente para os construtores americanos. “A gente vai perder para outros mercados que vão se tornar mais competitivos em função da tarifa. Depois, vai haver no médio para longo prazo, um reforço das cadeias regionais locais.Ou seja, o importador americano ou o produtor americano vai buscar substituir aquele fornecimento dentro do próprio mercado”.
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira que ainda acredita numa possibilidade de negociação. Em entrevista, disse que a conversa precisa ser feita de forma respeitosa entre Donald Trump e o governo brasileiro. Afirmou confiar na percepção de autoridades locais de que a situação teria passado do limite. “O Brasil nunca abandonou a mesa de negociação. Eu acredito que essa semana já há algum sinal de interesse em conversar e uma maior sensibilidade de algumas autoridades dos Estados Unidos de que talvez tenham se passado um pouquinho e queiram conversar. Alguns empresários estão fazendo chegar ao nosso conhecimento de que estão encontrando maior abertura. Não sei se vai dar tempo até dia primeiro, mas o que importa não é essa data fatídica”, disse o ministro.
Haddad confirmou que o governo federal trabalha num plano de contingenciamento, caso a tarifa comece a valer essa semana. Nos bastidores, uma das medidas seria o governo comprar os produtos que não possam ser redirecionados para outros mercados, solução que para CNI, não poderá ser aplicada para todos os setores prejudicados.
“O que a gente precisa de imediato é a garantia para as empresas que já embarcaram ou que estão prestes a embarcar seus produto. Principalmente as empresas menores, que não têm o capital de giro necessário, então elas precisam de financiamento para pagar os empréstimos que elas fizeram para fazer aquela produção, a partir de um contrato de exportação.Se esse contrato está sendo renegociado ou se esse produto vai ficar parado no Porto, a empresa tem que pagar com juros, ou ela tem que pagar aquele aquele valor num tempo de 30 dias. O que a gente tem solicitado é essa ajuda financeira para que a empresa tenha fôlego até que as coisas sejam renegociadas”, disse a gerente da CNI.
