Logística
Correios fecham acordo com AliExpress para modernizar entregas
Memorando assinado durante missão à China reforça investimentos em logística e acompanha expansão da plataforma chinesa no mercado brasileiro
Os Correios deram mais um passo na estratégia de modernização de suas operações internacionais ao firmar, nesta quinta-feira (28), na China, um memorando de entendimento com o AliExpress, plataforma de comércio eletrônico do grupo Alibaba. O acordo prevê ampliação dos investimentos em logística, rastreamento de encomendas e eficiência operacional no Brasil, em um momento em que o país se consolida como um dos mercados prioritários da empresa chinesa.
Assinado durante missão internacional liderada pelo ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, o documento estabelece bases para aprofundar a cooperação tecnológica e operacional entre as duas companhias, que já mantêm parceria logística há cinco anos. O foco principal está na chamada “última milha”, etapa final da entrega até o consumidor, considerada uma das mais complexas e decisivas para a experiência do cliente no comércio eletrônico.
Pelo acordo, Correios e AliExpress pretendem investir conjuntamente em inovação logística, digitalização dos serviços e aprimoramento do rastreamento ponta a ponta das encomendas. A expectativa é reduzir prazos de entrega, ampliar a previsibilidade das operações e oferecer mais transparência aos consumidores brasileiros que realizam compras em plataformas internacionais.
A iniciativa ocorre em meio à expansão das operações do AliExpress no Brasil. O país foi incluído entre os três mercados prioritários da estratégia global de crescimento da empresa para 2026, o que deve resultar em novos investimentos em infraestrutura logística e tecnologia.
“O objetivo do Governo do Brasil é fortalecer e modernizar os Correios, uma empresa histórica e fundamental para o povo brasileiro. Essa parceria representa mais eficiência, inovação e melhores serviços para a população”, afirmou o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
Segundo a plataforma chinesa, a ampliação dos investimentos busca não apenas melhorar a experiência dos consumidores, mas também contribuir para o desenvolvimento do comércio eletrônico e da infraestrutura logística nacional.
A assinatura do memorando contou com a participação do presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, e do presidente da Telebras, Hermano Albuquerque, que integraram a comitiva brasileira na China.
Conectividade
O acordo com o AliExpress marcou um dos principais compromissos da missão do Ministério das Comunicações ao país asiático, encerrada nesta sexta-feira (29). Nos cinco dias de agenda, a comitiva manteve reuniões com empresas de tecnologia, telecomunicações e conectividade interessadas em ampliar investimentos no Brasil.
O último dia da missão foi dedicado à visita técnica à SpaceSail, empresa chinesa especializada em satélites de baixa órbita que pretende iniciar operações comerciais no Brasil ainda neste ano. A expectativa do governo é que a chegada da companhia aumente a concorrência no mercado de internet via satélite e amplie a oferta de conectividade em regiões onde a infraestrutura terrestre ainda apresenta limitações.
A tecnologia é considerada especialmente relevante para áreas remotas, comunidades rurais e localidades da Amazônia, onde a expansão da fibra óptica enfrenta desafios geográficos e econômicos.
“A gente sai daqui com uma expectativa muito alta e com a certeza de que o povo brasileiro terá acesso a mais conectividade, principalmente nas áreas mais remotas. Onde a fibra óptica ainda não chega, a forma mais rápida de conectar a população será por meio das soluções via satélite”, afirmou Frederico de Siqueira Filho.
O lançamento da operação da SpaceSail no Brasil havia sido anunciado durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, em 2025. Neste ano, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou a atuação da empresa no país, com direito de exploração envolvendo até 324 satélites e validade até julho de 2031.
O conselheiro da Anatel Octavio Penna Pieranti, que participou da visita, destacou a capacidade de expansão da companhia.
“Essa empresa produz cerca de 500 satélites por ano, o que representa um potencial gigantesco em termos de conectividade. Isso significa mais acesso à internet e mais garantia de direitos para a população brasileira, principalmente nas regiões mais afastadas, como a Amazônia”, afirmou.
A agenda também incluiu visita ao centro de pesquisa e desenvolvimento da Huawei, multinacional chinesa com atuação global nos segmentos de infraestrutura de telecomunicações, equipamentos 5G e dispositivos inteligentes.
Segundo o Ministério das Comunicações, as reuniões realizadas ao longo da semana tiveram como objetivo apresentar oportunidades de investimento em infraestrutura digital, conectividade e transformação tecnológica no Brasil.