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Santos Export

Descarbonização do transporte é estratégica e urgente, alerta diretor da ANTT

Atualizado em: 29 de maio de 2026 às 11:17
Vanessa Pimentel Enviar e-mail para o Autor

Transporte terrestre entra no centro da agenda climática global, com prazo crítico até 2031 e potencial de reduzir em até 68% as emissões no Brasil

O mundo tem até 2031 para esgotar o orçamento de carbono necessário para limitar o aquecimento global a 1,5°C — e o transporte terrestre será decisivo nesse cenário. O alerta foi feito pelo diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Felipe Queiroz, durante o Fórum Santos Export, realizado nesta sexta-feira no Guarujá.

Segundo ele, a descarbonização do setor deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ser uma estratégia central de competitividade econômica. “O transporte limpo é competitividade. Regulação climática e competitividade não são forças opostas — são a mesma estratégia”, afirmou durante a sua apresentação.

Queiroz destacou que, sem ações concretas, as emissões do transporte terrestre podem saltar de 260 milhões para 424 milhões de toneladas de CO₂ equivalente até 2050. Com medidas estruturais, no entanto, esse volume pode cair para 137 milhões de toneladas, uma redução de até 68%.

A estratégia apresentada pela ANTT se baseia em três eixos principais: a mudança da matriz de transportes para modais mais eficientes, como ferrovias e hidrovias; a ampliação do uso de biocombustíveis; e a eletrificação da frota, incluindo tecnologias como hidrogênio verde.

O diretor também chamou atenção para o agravamento das mudanças climáticas. Dados apresentados indicam que as tempestades dobraram desde 1980, enquanto as falhas de energia provocadas por esses eventos duplicaram após 2003. Além disso, desastres naturais que antes se distribuíam ao longo de séculos passaram a se concentrar em apenas uma ou duas décadas.

Em um cenário extremo, ele alertou para riscos irreversíveis. “Caso a gente chegue a um desmatamento de 40% ou a um aumento de 4°C na temperatura média global, a Amazônia entra em ponto de inversão e pode se transformar em savana”, disse. Nesse contexto, o nível do mar poderia subir até 60 metros, inundando dois terços das principais cidades do mundo e tornando um terço do planeta inabitável.

Queiroz também ressaltou o papel estratégico do Brasil na transição para uma economia de baixo carbono, citando a matriz elétrica majoritariamente renovável e a liderança global na produção de biocombustíveis como vantagens competitivas.

Para viabilizar essa transformação, a ANTT aposta em instrumentos regulatórios e incentivos à inovação, incluindo programas de sustentabilidade, mecanismos de financiamento e ambientes de testes supervisionados para novas tecnologias.

Em relação aos desafios, o diretor apontou três mais relevantes: ampliar investimentos em infraestrutura sustentável, garantir acesso a financiamento verde e acelerar o licenciamento ambiental para novos projetos.

“O mundo precisa de respostas rápidas e coordenadas. A descarbonização do transporte não é apenas uma necessidade ambiental, mas uma oportunidade concreta para o Brasil liderar a economia de baixo carbono”, citou.

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