Indústria
Desempenho das pequenas indústrias melhora no 2º tri, aponta CNI
Os dados fazem parte do Panorama da Pequena Indústria referente ao segundo trimestre de 2026
Após atingir o pior nível desde a pandemia no início do ano, o desempenho das pequenas indústrias melhorou no segundo trimestre de 2026. O indicador de atividade avançou 1,5 ponto e chegou a 45,2 pontos, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (31) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O resultado ficou 2,1 pontos acima da média histórica para o período, de 43,1 pontos. Em uma escala de zero a 100, valores mais altos indicam melhor desempenho.
O índice considera o volume de produção, a utilização da capacidade instalada em relação ao nível usual e a evolução do número de empregados. No setor da construção, são avaliados o nível de atividade e a capacidade operacional.
Os dados fazem parte do Panorama da Pequena Indústria referente ao segundo trimestre de 2026.
As condições financeiras das empresas também apresentaram leve melhora. O indicador que mede o caixa avançou 0,4 ponto, atingindo 39,4 pontos.
O índice leva em conta o acesso ao crédito, a satisfação dos empresários com a situação financeira e a margem de lucro operacional. Apesar do avanço, o resultado segue em patamar baixo, indicando dificuldades persistentes.
“Historicamente, as pequenas indústrias têm menos folga financeira e menor acesso ao crédito que empresas maiores”, afirmou o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.
Segundo ele, os problemas também afetam companhias de maior porte devido à integração da cadeia produtiva.
“A indústria é encadeada. Pequenas empresas fornecem insumos para médias e grandes. Quando enfrentam dificuldades para investir ou honrar compromissos, isso limita o atendimento à demanda e reduz a competitividade do setor”, explicou.
Juros e custos travam recuperação
De acordo com a CNI, a recuperação segue limitada por entraves estruturais, como a alta carga tributária e os juros elevados.
O custo e a falta de matérias-primas e de mão de obra também ganharam relevância entre as principais preocupações. O problema envolve tanto profissionais qualificados quanto funções operacionais.
Empresários também apontam a concorrência desleal, a informalidade, o contrabando e a burocracia como obstáculos ao crescimento.
Esses fatores pressionam custos, reduzem a capacidade de investimento e dificultam a geração de empregos.
Setor completa 20 meses sem confiança
Apesar da melhora na atividade, o setor segue pessimista. Em julho, as pequenas indústrias completaram 20 meses consecutivos sem confiança.
O índice de confiança ficou em 46,2 pontos, 4,5 pontos abaixo da média histórica para o mês (50,7 pontos). Valores abaixo de 50 indicam falta de confiança.
As expectativas também permanecem moderadas. O índice de perspectivas atingiu 47,5 pontos.
O indicador reúne projeções sobre demanda, nível de atividade, emprego e intenção de investimentos nos próximos seis meses.
Os dados mostram que, embora a produção tenha reagido, o cenário de juros altos, restrições financeiras e incertezas ainda impede uma recuperação mais consistente das pequenas indústrias.