Mineração
Desvio da BR-226 libera acesso a novas reservas de ouro no RN
Acordo entre DNIT e Aura Minerals prevê alteração do traçado da rodovia para ampliar o Projeto Borborema, que já recebeu cerca de R$ 1 bilhão em investimentos
Um acordo de cooperação entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Aura Minerals prevê a alteração do traçado de um trecho da BR-226, em Currais Novos (RN), para permitir o acesso a uma reserva de 670 mil onças de ouro, equivalente a cerca de 20,8 toneladas do metal. A área está localizada sob o atual traçado da rodovia e integra o Projeto Borborema, que já recebeu aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos.
Com a incorporação desse minério, a Aura estima ampliar em 82% a base total de reservas do empreendimento. O projeto passa a ter cerca de 1,5 milhão de onças de ouro, ou aproximadamente 40,7 toneladas. A vida útil estimada da operação a céu aberto supera 20 anos, enquanto a produção média anual projetada é de 65 mil onças.
A previsão considera uma operação com vida útil de 20 anos e cinco meses. Para 2026, a estimativa de produção fica entre 65 mil e 77 mil onças de ouro.
Pelo acordo, a Aura será responsável pela elaboração dos projetos de engenharia, pelas desapropriações e pela execução das obras necessárias para a implantação do novo traçado da BR-226. O DNIT não terá de realizar aportes financeiros para a intervenção.
O início das obras, no entanto, depende da aprovação dos projetos técnicos pelo DNIT e do licenciamento ambiental. “Esse acordo representa um marco importante que acelera de forma significativa a geração de valor em Borborema. Desde a aquisição do projeto, o potencial de expansão levou ao planejamento de uma planta totalmente expansível”, afirma o presidente e CEO da Aura, Rodrigo Barbosa.
Impacto na economia local
A ampliação do Projeto Borborema ocorre em meio ao avanço da atividade mineral em Currais Novos. A operação comercial da Mina Borborema começou em outubro de 2025 e passou a movimentar setores como hospedagem, alimentação, transporte, serviços e construção civil.
Segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Estatística (IDEE), até abril de 2026 a operação mantinha 239 empregos diretos e outros 919 postos terceirizados.
A chegada da mineradora também aumentou a demanda por hospedagem e serviços no município. Segundo Elton Gomes Souto, sócio-diretor da Óticas Mirna, a instalação da planta provocou um aumento na circulação de pessoas e movimentou o comércio local.
“Teve um boom econômico muito grande porque veio muita gente de fora para a instalação da planta. A rede hoteleira e de alimentos sentiu bastante, mas houve uma inflação na moradia e no aluguel”, afirma.
Segundo Souto, depois do período de implantação da mineradora, o comércio local se estabilizou em um nível superior ao registrado anteriormente.
O secretário municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Currais Novos, David Narwith, também aponta impactos em diferentes setores. “A chegada da mineradora representa um marco importante para Currais Novos e para o Seridó. Há reflexos positivos em setores como hospedagem, alimentação, transporte, serviços e construção civil, aumentando a circulação de renda e contribuindo para o crescimento sustentável”, diz.
Arrecadação
A expansão da atividade mineral também tem refletido na arrecadação relacionada à mineração no Rio Grande do Norte.
Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação do Estado (Sedec), o Rio Grande do Norte passou da 21ª posição em 2025 para a 14ª colocação até julho de 2026 no ranking nacional da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM).
Em 2025, o estado arrecadou R$ 6,9 milhões em CFEM sobre a produção de ouro, dos quais R$ 3,4 milhões foram destinados a Currais Novos. Até julho de 2026, a arrecadação acumulada no estado chegou a R$ 11,5 milhões.
Pelas regras de distribuição da CFEM, 60% dos recursos ficam com o município produtor, 15% são destinados ao estado, outros 15% aos municípios afetados pela atividade e 10% à União.
No comércio exterior, as exportações do Projeto Borborema somaram US$ 112,8 milhões para o Canadá e US$ 44,6 milhões para a Suíça em 2026. O empreendimento também conta com incentivo de 85% do Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (Proedi).
“A gente entende como positiva uma instalação da mineradora respeitando todas as leis ambientais, trazendo impacto na nossa economia com a geração de empregos e também uma geração de divisas que ficam para nosso estado. Inclusive, nós temos outros projetos de mineração para serem implantados e outros que foram retomados”, afirma o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Lahyre Rosado.
Produção e reservas
A Mina Borborema utiliza o método de lavra a céu aberto e processa cerca de 2 milhões de toneladas de rocha mineralizada por ano. Após a emissão da primeira barra de ouro, em 2025, a unidade entrou em fase de ramp-up, período de aumento gradual da produção.
No primeiro semestre de 2026, a produção alcançou 31.352 GEO (Gold Equivalent Ounce), métrica utilizada para representar o equivalente em ouro.
A incorporação das reservas localizadas sob a BR-226 também aumentou as estimativas econômicas do projeto. No estudo atualizado, o Valor Presente Líquido (VPL) foi estimado em US$ 612,5 milhões, ante US$ 182 milhões na avaliação anterior, considerando uma taxa de desconto de 8,9%.
O VPL é um indicador utilizado para estimar o valor atual dos resultados financeiros futuros de um empreendimento. O estudo também apresenta valores diferentes conforme a taxa de desconto considerada.