Transportes
Diesel aumenta pressão sobre custos logísticos e planejamento de cargas
Empresas podem reduzir despesas antes mesmo do transporte, com integração entre gestão de estoques, pedidos e contratação de fretes
O preço do diesel S-10 chegou a R$ 7,36 por litro na média nacional na semana de 4 a 10 de outubro, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em um cenário de pressão sobre os custos do transporte rodoviário, empresas brasileiras podem buscar ganhos de eficiência não apenas na negociação com transportadoras ou na escolha de rotas, mas também no planejamento das operações antes de as mercadorias entrarem em circulação.
Para o managing director da Infios na América Latina, Helcio Lenz, parte dos gastos logísticos decorre de decisões anteriores ao transporte, como posicionamento inadequado de estoques, divisão desnecessária de pedidos em diferentes remessas e entregas aceleradas por falhas no planejamento. A revisão desses processos pode ajudar a reduzir deslocamentos improdutivos e aproveitar melhor a capacidade disponível dos veículos.
“As empresas mais expostas não são necessariamente aquelas que consomem mais diesel. São aquelas com menos flexibilidade para se adaptar quando o transporte se torna mais caro”, afirma Lenz.
Segundo o executivo, transportadoras menores, operadores que atendem regiões remotas ou de baixa densidade e empresas que realizam entregas com prazos críticos tendem a ter menos alternativas para alterar rotas, fornecedores de transporte ou modais diante de mudanças nos custos.
O transporte rodoviário é fundamental para conectar produtores, fabricantes, centros de distribuição, varejistas e consumidores em um país de dimensões continentais como o Brasil. Nesse contexto, a alta do combustível amplia a importância de coordenar as decisões de toda a cadeia de suprimentos, em vez de analisar o frete isoladamente.
Planejamento pode evitar quilômetros desnecessários
Uma das medidas é integrar as informações sobre demanda, estoques, atendimento de pedidos e transporte. A abordagem permite identificar oportunidades para consolidar cargas, reduzir entregas expressas que poderiam ser evitadas e melhorar a utilização dos veículos.
“As empresas podem reduzir quilômetros desnecessários consolidando embarques, melhorando a utilização de veículos, evitando entregas expressas desnecessárias e fazendo melhor uso da capacidade disponível das transportadoras”, explica Lenz.
A revisão deve considerar também a localização dos estoques, as rotas utilizadas, os prestadores de serviço e as prioridades de entrega. Com mudanças nos preços dos combustíveis e nas condições operacionais, alternativas que antes eram economicamente viáveis podem deixar de ser as mais eficientes.
Dados e inteligência artificial
O uso de dados e inteligência artificial também pode ampliar a capacidade de resposta das empresas às mudanças nas condições logísticas. As ferramentas permitem reunir informações sobre estoques, pedidos, transporte e ocorrências operacionais, oferecendo às equipes uma visão mais integrada para ajustar o planejamento.
Para Lenz, a tecnologia não substitui a decisão humana, mas ajuda a identificar alternativas e coordenar respostas com maior rapidez. Isso inclui revisar rotas, redistribuir cargas e antecipar situações que possam gerar viagens adicionais ou atrasos.
“Cada quilômetro importa. Mas cada quilômetro desnecessário importa ainda mais. As empresas brasileiras não podem controlar os preços globais do diesel, mas podem controlar a eficácia com que suas cadeias de suprimentos respondem a eles”, conclui.