Portos
Edital do Tecon Santos 10 segue pendente após nova análise do TCU
Edital do novo terminal de contêineres segue sem publicação mais de dez meses após análise anterior da Corte
O edital do Tecon Santos 10, projeto de expansão da capacidade de movimentação de contêineres do Porto de Santos (SP), ainda não foi publicado mais de dez meses após a análise anterior do Tribunal de Contas da União (TCU). A demora foi registrada em auditoria aprovada pelo órgão em outubro, que também destacou a urgência da ampliação portuária: estudos examinados pela Corte indicam que a capacidade instalada atual, estimada em 5,76 milhões de TEUs por ano, atenderia à demanda projetada somente até 2028. Empreendimentos desse porte levam, em média, cinco anos para entrar em operação.
O acórdão relatado pelo ministro Jhonatan de Jesus e aprovado pelo plenário em 14 de outubro, registrou que o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) incluiu o Tecon Santos 10 na carteira de leilões anunciada em 8 de outubro, com projetos previstos para o período de 2027 a 2030. O tribunal observou que, após mais de dez meses da publicação do acórdão, de dezembro de 2025, o edital ainda não havia sido divulgado.
A situação representa uma mudança em relação ao cronograma apresentado pelo governo no início deste ano. Em 12 de janeiro, o MPor informou que havia encaminhado à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a modelagem final e os documentos para publicação do edital. Na ocasião, a expectativa era realizar o leilão na segunda quinzena de março de 2026.
A indefinição envolve principalmente as regras de participação de empresas que já operam no Porto de Santos e de armadores, companhias responsáveis pelo transporte marítimo. As discussões sobre o modelo concorrencial levaram a novas articulações dentro do governo e à necessidade de ajustes na modelagem. O cronograma chegou a ser postergado diversas vezes, enquanto o Executivo buscava uma solução para conciliar a competição no certame e os riscos de concentração de mercado.
A demora preocupa diante da perspectiva de crescimento da movimentação de contêineres no complexo santista. A avaliação dos estudos reunidos pelo TCU é que a capacidade existente poderá se tornar insuficiente a partir de 2028.
Falhas no planejamento
Além do atraso, a auditoria examinou mudanças realizadas desde 2023 no planejamento, no zoneamento e na destinação de áreas do Porto de Santos, especialmente na região do Saboó, onde está prevista a implantação do Tecon Santos 10.
O TCU apontou que as decisões de suspender e reformular o projeto original não foram suficientemente justificadas. Segundo a Corte, faltaram registros claros dos pressupostos considerados, das alternativas avaliadas e dos motivos que levaram à escolha de novos encaminhamentos.
Os estudos do terminal foram suspensos em 2022, quando a área foi incorporada ao projeto de privatização do porto. Com a reversão dessa política em 2023, o planejamento foi reavaliado e surgiram novas propostas para a ocupação da região.
O tribunal também avaliou a manutenção do contrato da Ecoporto Santos entre junho de 2023 e dezembro de 2024. A conclusão foi que não houve demonstração suficiente da necessidade de preservar o vínculo original e da adequação dos prazos adotados. A Corte ainda determinou a abertura de um processo específico para examinar os cálculos do reequilíbrio econômico-financeiro da empresa e seus efeitos sobre a outorga do futuro Tecon Santos 10.
Outro ponto analisado foi a possível transferência do terminal de passageiros operado pela Concais para a região do Valongo. O TCU alertou que a mudança para uma área substancialmente maior ou com melhorias relevantes custeadas pelo poder público pode alterar as condições originalmente contratadas e oferecer vantagens à atual arrendatária. Nesse cenário, a transferência poderia comprometer a isonomia e a obrigação de realizar licitação.

Ecoporto no complexo portuário santista. Foto: divulgação.
Outorga
A análise sobre a Ecoporto envolve R$ 307,49 milhões previstos na minuta do edital do Tecon Santos 10 como garantia para um eventual ressarcimento à antiga arrendatária. O montante foi atualizado a partir de um cálculo de indenização de R$ 94,3 milhões, com data-base de dezembro de 2016, para julho de 2024.
O valor, entretanto, ainda não está definitivamente reconhecido. O TCU determinou que seja aberto um processo apartado para verificar a regularidade dos cálculos, considerando também a continuidade da operação da Ecoporto após o prazo original do contrato e os efeitos desse período sobre a amortização e a depreciação dos investimentos.
A conta de salvaguarda deverá ser analisada prioritariamente antes de qualquer destinação definitiva dos recursos. A revisão é relevante para a modelagem econômica do novo terminal porque, conforme a própria Corte, valores eventualmente pagos a maior à Ecoporto podem reduzir a receita de outorga destinada ao poder público.
Apesar das ressalvas, o acórdão não determinou a suspensão do projeto nem estabeleceu uma nova data para a publicação do edital. O tribunal comunicou suas conclusões ao Ministério de Portos e Aeroportos e à Autoridade Portuária de Santos (APS), enquanto a implantação do novo terminal permanece como uma das principais iniciativas para ampliar a capacidade de movimentação de contêineres do maior complexo portuário do país.