Comércio exterior
Exportações aos EUA caem, mas MDIC não vê relação com tarifaço
Recuo em julho foi de 5%. Como as importações aumentaram 0,6% no mês passado, o Brasil registrou déficit de US$ 638 milhões na relação comercial com os norte-americanos
As exportações de produtos brasileiros para os Estados Unidos caíram 5,0% em julho de 2026, somando US$ 3,638 bilhões no mês ante US$ 3,829 bilhões em julho de 2025. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 6, pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Pelo lado das importações, houve alta de 0,6% nas compras vindas dos EUA em julho (totalizando US$ 4,276 bilhões, ante US$ 4,253 bilhões em igual mês do ano passado). Assim, a balança comercial com os EUA resultou num déficit de US$ 638 milhões em julho.
No acumulado de janeiro a julho de 2026, em relação ao mesmo período do ano anterior, as exportações para os Estados Unidos caíram 12,2% e atingiram US$ 20,951 bilhões. As importações caíram 10,4% e totalizaram US$ 23,225 bilhões. Dessa forma, neste período, a balança comercial para o país apresentou déficit de US$ 2,274 bilhões.
Questionado sobre a queda das exportações aos Estados Unidos no mês passado, o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Herlon Brandão, afirmou que ela não está relacionada diretamente ao novo tarifaço.
“A medida dos Estados Unidos passou a vigorar plenamente apenas no dia 29 de julho”, lembrou o técnico em coletiva de imprensa para comentar os dados da balança comercial brasileira de julho, que apresentou superávit de US$ 7,067 bilhões, no âmbito geral. “Então, não é possível atribuir o movimento de julho todo em relação à medida.”
Segundo Brandão, como não houve crescimento das vendas no sétimo mês do ano, não é possível avaliar se houve uma antecipação das vendas. A queda em julho se deu nos seguintes produtos: aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes (-62,2%), ferro gusa (-31,4%), café não torrado (-27,6%) e sucos de frutas ou vegetais (-22,5%).
Justificativa
As exportações de produtos brasileiros para os EUA caíram 5,0% em julho de 2026 e 12,2% nos sete meses do ano. No ano, a queda foi motivada por reduções nas vendas de óleos brutos de petróleo (-25,5%), café não torrado (-34,1%), sucos de frutas e vegetais (44,2%) e produtos semiacabados de ferro e aço (11%).
Brandão atribuiu a queda das vendas aos EUA no acumulado do ano ao contexto econômico e à demanda. Ele exemplificou que não houve majoração de alíquotas para petróleo. “Cada produto tem uma dinâmica e eu diria que é uma questão mais de demanda e de mercado que influenciou esse resultado do primeiro semestre incluindo julho”, sustentou.
Tensão
Sobre a recente escalada da crise diplomática do Brasil com os EUA e com a Argentina, o técnico disse que a política econômica só vai afetar os fluxos comerciais na medida em que se traduzam em medidas restritivas, como tarifas, ou, em direção contrária, de incentivo ao comércio.
“Na medida em que se tem alguma medida concreta isso pode influenciar no fluxo. Então, essa questão de relacionamento político não creio que é possível mensurar isso nesse movimento”, avaliou.