quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Dolar Com.
Euro Com.
Libra Com.
Yuan Com.
BE News
  • Editorias
    • Nacional
    • Região Norte
    • Região Nordeste
    • Região Centro-Oeste
    • Região Sudeste
    • Região Sul
    • Internacional
    • Portugal
    • Expediente
  • Últimas Notícias
  • Colunas
    • HUB
    • BE Job
    • Mundo Corporativo
    • tecnologia & inovação
    • Espaço Abtra
    • Estilo BE
    • Vitrine
  • Opiniões
Olá,
Jornal BE News - Edição de Hoje

Nacional

Ferrovia entre Brasil e Peru volta ao radar com apoio da China

Atualizado em: 14 de maio de 2025 às 3:31
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Projeto de mais de 3 mil quilômetros entre Ilhéus, na Bahia, e o Porto de Chancay avança com apoio do país asiático

A proposta de interligar os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de uma ferrovia transcontinental voltou com força à agenda bilateral entre Brasil e China. Em Pequim, durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, reafirmou a Ferrovia Bioceânica como uma das prioridades do governo brasileiro para superar gargalos logísticos e impulsionar a competitividade do país.

A ferrovia, que ligaria o porto de Ilhéus (BA) ao porto de Chancay, no Peru, passaria por regiões-chave do agronegócio nacional, como o Matopiba — área de fronteira agrícola que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O traçado conectaria a Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) à Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste), formando um corredor ferroviário com mais de 3 mil quilômetros de extensão até a fronteira com o Peru.

“Estamos rasgando o Brasil de leste a oeste”, afirmou Tebet em um dos encontros com autoridades e empresários chineses. Segundo a ministra, o impacto desse projeto sobre a economia brasileira poderá ser comparado ao de uma reforma tributária nas regiões Sul e Sudeste, tamanha a transformação esperada para o Norte, o Centro-Oeste e o interior do Nordeste.

Rota Bioceânica

O traçado da Ferrovia Bioceânica conectaria a Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) à Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste), formando um corredor com mais de 3 mil km. Foto: Divulgação/Governo do MS

 

Tebet destacou que o projeto será viável apenas com a participação de capital internacional, especialmente chinês. “Não há investimento privado nacional suficiente para uma obra dessa magnitude. A China tem os recursos e o interesse. Precisamos garantir segurança jurídica e mostrar que é um projeto de Estado, e não de governo”, afirmou.

De acordo com a ministra, o governo brasileiro já vem trabalhando há 60 dias para estruturar tecnicamente a proposta e avançar nas negociações. O trabalho é conduzido pelo Ministério do Planejamento em articulação com a Casa Civil e os ministérios dos Transportes e dos Portos e Aeroportos. Entre as ações já realizadas estão visitas técnicas a pontos estratégicos do projeto, como Mara Rosa (GO) — local onde se cruzam os trilhos da Fiol, da Fico e da Ferrovia Norte-Sul —, além de uma inspeção no Porto de Santos (SP).

Memorandos

O interesse chinês na iniciativa ficou ainda mais evidente nos memorandos de entendimento firmados em Pequim, que incluíram a Ferrovia Bioceânica entre os projetos prioritários da cooperação bilateral. A articulação segue os quatro eixos delineados durante a visita do presidente Xi Jinping ao Brasil no fim do ano passado: o Novo PAC, a Nova Indústria Brasil, o Plano de Transformação Ecológica e as Rotas de Integração Sul-Americana — sendo estas últimas um dos focos do Ministério do Planejamento.

“A China tem interesse, assim como o Peru e o Brasil. O objetivo é garantir previsibilidade e assegurar que, independentemente das gestões, este é um compromisso de Estado, com viabilidade econômica clara”, reforçou Tebet. Para ela, o projeto tem potencial para transformar o interior do Brasil e impulsionar o desenvolvimento de áreas com grande vocação produtiva, mas ainda carentes de infraestrutura.

A ministra afirmou que, uma vez concluída, a Ferrovia Bioceânica poderá reposicionar o Brasil na geopolítica continental e nos fluxos globais de comércio, aproximando o país dos mercados asiáticos por meio de uma nova rota interoceânica. “É uma mudança radical. Tornará o Brasil muito mais competitivo”, concluiu.

Rotas de Integração miram reaproximação comercial com sul-americanos

Paralelamente à retomada da discussão sobre a Ferrovia Bioceânica, o governo brasileiro aposta em um conjunto mais amplo de iniciativas para estreitar os laços logísticos e comerciais com os vizinhos sul-americanos. Batizadas de Rotas de Integração e Desenvolvimento Sul-Americano, as cinco diretrizes rodoviárias e ferroviárias foram desenhadas pelo Ministério do Planejamento após consulta aos 11 estados brasileiros que fazem fronteira com países da América do Sul.

A proposta surgiu a partir do Consenso de Brasília, encontro que reuniu líderes regionais em maio de 2023 e sinalizou a retomada da agenda de integração sul-americana. O objetivo central é reduzir o tempo e os custos de transporte entre o Brasil, seus vizinhos e a Ásia — principal destino das exportações brasileiras.

Durante o Seminário Empresarial China-Brasil, realizado em Pequim, a ministra Simone Tebet defendeu o modelo de cooperação multilateral e destacou a necessidade de investimentos privados internacionais para viabilizar os projetos de integração. “Algumas peças do quebra-cabeça estão com o Brasil, outras com a China. Mas o propósito é comum: garantir dignidade e cidadania aos cidadãos do planeta”, afirmou.

Entre os mais de 9,7 mil projetos do Novo PAC, 190 têm potencial de contribuir para a integração regional. Há ainda a expectativa de que os bancos regionais de desenvolvimento — como BID, CAF e Fonplata — destinem até US$ 7 bilhões para essas iniciativas. No âmbito doméstico, o BNDES pode liberar até US$ 3 bilhões para as obras de infraestrutura nos estados fronteiriços.

Dados do Ministério do Planejamento mostram que o comércio com a Ásia disparou nas últimas duas décadas, enquanto os fluxos com os países sul-americanos cresceram em ritmo mais lento. Em 2023, o Brasil exportou US$ 152,4 bilhões para os asiáticos, contra US$ 40 bilhões para os vizinhos. A aposta nas novas rotas é uma tentativa de equilibrar essa balança, reabrindo caminhos antes negligenciados.

Compartilhe:
TAGS brics China Ferrovia Biooceânica
Baixe nosso aplicativo!
Disponível no Google Play Disponível na Apple Store
Código de Compliance Política de Privacidade Termos de Uso
BE News
Instagram
Facebook
Linkedin
Youtube
Telegram
© 2025 BE News | O conteúdo do Portal BE News é protegido por lei. Qualquer reprodução (total ou parcial), sem a prévia autorização, é proibida.
Desenvolvido por: Logo Mosten