Agronegócio
Fórum do café debate gargalos logísticos e expansão das exportações
Evento em Santos reúne representantes de 24 países e coloca em pauta infraestrutura portuária, capacidade operacional e alternativas para ampliar mercados consumidores
Teve início nesta terça-feira (19) o Seminário Internacional do Café, evento promovido pela Associação Comercial de Santos (ACS), realizado na cidade. Em sua 25ª edição, o fórum, considerado um dos principais do setor cafeeiro em nível mundial, vai debater desafios e demandas do segmento nos cenários nacional e internacional.
Durante a sessão solene, o presidente da ACS, Mauro Sammarco, destacou a importância do fórum, que promete receber mais de mil visitantes nos três dias de atividades.
“É uma edição histórica, a maior de todos os tempos em termos de número de participantes. Estamos em um momento de grandes desafios, de discussões geopolíticas, desafios que temos pela frente, como os de infraestrutura e de capacidade de movimentação do nosso porto. Serão três dias de debates importantes para o nosso setor”, comentou.
De acordo com informações da organização do evento, o seminário internacional vai receber representantes de 24 países. A programação contará com debates, painéis técnicos e apresentações especiais, além de estandes voltados a networking, negociações e perspectivas futuras para o produto.
O Brasil é o principal país produtor de café, que é exportado para todo o mundo. Os números foram destacados pelo presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, em um cenário no qual o Porto de Santos se apresenta como a principal porta de saída para o escoamento da produção brasileira.
“A cada dez xícaras de café consumidas no mundo, cinco são produzidas no Brasil e passam pelo Porto de Santos. O porto faz conexão com 200 países e precisa se apresentar de forma adequada”, pontuou.
Desafios
Um dos principais desafios de produtores e empresas ligadas ao segmento do café envolve logística e infraestrutura. Atualmente, o Porto de Santos responde por 78% das exportações de café do país, mas entraves logísticos ainda são enfrentados por quem exporta o produto.
Nesse contexto entra o Tecon Santos 10, futuro megaterminal de contêineres de Santos, que pretende ampliar a capacidade de movimentação, além de ofertar novos berços para aumentar as exportações brasileiras.
“O Tecon 10 não vai atender somente o café, mas todas as cargas industrializadas. Ele é essencial para que o porto possa se apresentar ainda mais competitivo. O terminal é essencial para que o porto possa crescer, oferecendo áreas com eficiência para a entrada e saída de produtos”, ponderou Pomini.
Impactos
Em agosto do ano passado, os Estados Unidos anunciaram um tarifaço sobre uma lista de produtos brasileiros, entre eles o café. O setor sentiu impactos diretos na corrente comercial e também nas exportações. No entanto, em novembro, o governo americano suspendeu as taxas sobre o café verde, que representa a maior parte das exportações brasileiras.
O gerente de Agronegócio da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Pedro Henrique de Souza Netto, destacou as ações do governo para expandir novos mercados, sem perder o impacto positivo do mercado norte-americano.
“A gente analisou não só os impactos do tarifaço, mas como poderíamos aliviar esses impactos, identificando mercados alternativos para escoar essa produção. Fizemos um trabalho de inteligência para identificar oportunidades de promoção comercial e levar o café para outros mercados, mas nunca abrimos mão dos Estados Unidos, porque é um parceiro importante. Continuamos trazendo investidores americanos ao Brasil para conhecerem nossa realidade enquanto buscamos outros destinos. Agora que o tarifaço caiu, a gente tem o melhor dos dois mundos, porque conseguimos vender para os Estados Unidos, mas também abrir portas alternativas para termos um mercado mais independente e robusto”, analisou.