Logística
Galpões atraem R$ 1 bilhão em transações no primeiro trimestre
Menor vacância da década e expansão de estoque sustentam o interesse de investidores institucionais e pessoas físicas pelo segmento
O mercado de ativos logísticos movimentou mais de R$ 1 bilhão em transações entre janeiro e março de 2026, segundo levantamento da Colliers. A consultora aponta que o setor chegou ao início do ano com a menor taxa de vacância da última década e um estoque nacional 13% maior do que o registrado no mesmo período de 2025.
A combinação de vacância baixa e inventário em expansão colocou os galpões logísticos entre os ativos mais disputados pelos fundos de investimento imobiliário (FIIs), tanto por gestores institucionais quanto por investidores pessoa física. A Colliers atribui esse interesse, em grande parte, ao avanço do comércio eletrônico.
Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), as vendas online no Brasil devem ultrapassar R$ 258 bilhões em 2026. A perspectiva de crescimento pressiona as empresas do setor a firmar contratos de locação de galpões com capacidade para operações de entrega cada vez mais ágeis, o que, conforme a Colliers, tem sustentado a demanda por esse tipo de ativo.
Para o CEO da Colliers, Ricardo Betancourt, os dados refletem um conjunto favorável de fundamentos. “O mercado logístico inicia 2026 com todos os indicadores no campo positivo. O inventário está em expansão, a vacância recuou para o menor nível e o interesse por essa classe de ativos permanece atraindo investidores. É um dos segmentos mais resilientes do mercado imobiliário”, disse.
A Colliers informou que cerca de 74% das posições nos FIIs logísticos pertencem a pessoas físicas — o que, segundo a consultora, indica que o acesso a esse tipo de empreendimento deixou de ser restrito a grandes carteiras. Pelos fundos, o investidor de varejo pode participar de galpões de alto padrão com aportes menores e negociar suas cotas diariamente em bolsa.
A taxa Selic, projetada em 13,25% ao ano para o encerramento de 2026 pelo Boletim Focus do Banco Central, segue como variável relevante nessa equação. Com a renda fixa ainda oferecendo retornos competitivos, gestores recomendam que o investidor avalie o binômio risco-retorno antes de aumentar a exposição em fundos imobiliários.
O pipeline da Colliers para os próximos 24 meses soma 3,4 milhões de m² em desenvolvimento. A consultora projeta que a vacância permaneça entre 6% e 7% ao longo de 2026, com pressão mais intensa em mercados onde a oferta é mais restrita, como a região metropolitana de São Paulo.