Brasil Export
Gilmar Mendes defende planejamento e sintonia entre público e privado
Decano do Supremo Tribunal Federal analisou desafios do setor de transportes brasileiro em discurso no jantar de abertura da missão do Brasil Export no Japão
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a necessidade de um planejamento de longo prazo para o setor de transportes e de uma maior sintonia entre o setor público e a iniciativa privada neste segmento, elogiando a realização da missão internacional do Brasil Export no Japão. Esses pontos foram destacados em sua fala no jantar de abertura da missão, ocorrido na noite desse domingo (no horário local, manhã do mesmo dia no Brasil), no Grand Prince Hotel Osaka Bay, em Osaka.
A missão, que reune mais de 60 lideranças do Judiciário, do Legislativo e empresariais, começa oficial nesta segunda-feira, em Osaka, e continua em Tóquio até a próxima quinta-feira. Na agenda, estão visitas técnicas e reuniões com autoridades e empresários locais dos setores de transportes, logística, automação e energia.
Em seu discurso, o ministro Gilmar Mendes apontou a infraestrutura de transportes como o gargalo decisivo para que o Brasil consiga aproveitar as oportunidades econômicas que se abrem no cenário internacional. Segundo ele, esse obstáculo coloca em risco a própria competitividade da produção nacional. A safra agrícola do Centro-Oeste, os minérios extraídos em Minas Gerais e no Pará e as futuras exportações de hidrogênio verde do Nordeste dependem de uma rede logística que hoje não responde às exigências do comércio global. Sem rodovias, ferrovias, hidrovias e portos eficientes, disse ele, a vantagem comparativa do Brasil fica limitada pelas deficiências dessa malha interna.
O alerta do decano do STF vem em um momento de inflexão nas relações bilaterais. Com um comércio que somou US$ 11,5 bilhões em 2025, Brasil e Japão deram um passo relevante em junho deste ano com o início formal das negociações para um acordo de parceria econômica entre o Mercosul e o país asiático. O agronegócio, que respondeu por mais de US$ 3,3 bilhões em exportações brasileiras para o Japão em 2024, além de setores como minerais estratégicos e energia limpa, despontam como as frentes mais promissoras dessa reaproximação.
Para traduzir esse potencial em acordos concretos, o ministro defendeu que o Brasil busque inspiração no modelo japonês, referência global em automação portuária, integração multimodal e estratégias de descarbonização. O ponto central da mensagem, no entanto, foi o de que a tecnologia é apenas a superfície do processo. A eficiência dos portos e das redes de transporte do Japão, ressaltou, apoia-se em fatores institucionais: segurança jurídica, regulação estável, coordenação entre governo e empresas e compromisso com metas ambientais.
Ao destacar a presença de representantes do poder público e do empresariado na missão internacional, o ministro elogiou a iniciativa do Brasil Export, considerando estratégica a integração proporcionada. E reforçou que a modernização logística do País não se faz isoladamente. A superação dos gargalos exige uma agenda conjunta capaz de dar consistência institucional às decisões de investimento e de garantir que o diálogo atual se transforme em projetos de longo prazo.